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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A natureza e contradições da crise capitalista]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present article will study the fictitious capital, and its implications in the context of the international credit system. It is our will to demonstrate that the prevalence of the hot money, or parasitic capital, made possible to practically solve the crisis for this part of the capital, through the state's intervention. But, further sharpened the contradictions pointing to a deepening crisis or an economic stagnation. The article will study the role of the Fed and the dollar system and asymmetries created within the world capitalist system and the huge transfers of value and surplus value from the periphery to the center of the system.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <div align="right">       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ART&Iacute;CULO      ORIGINAL</b></font></p>       <p>&nbsp; </p> </div>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>A natureza e    contradi&ccedil;&otilde;es da crise capitalista</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <br>   <b><font size="3">Nature and Contradictions of the Capitalist Crisis</font></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Paulo Nakatani    <sup>I</sup> y Helder Gomes <sup>II</sup></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">I Departamento    de Economia e do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Pol&iacute;tica    Social da UFES, Brasil    <br>       <br>   II Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Pol&iacute;tica Social    da UFES, Brasil. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMEN</b></font>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste artigo, vamos    estudar o desenvolvimento do capital fict&iacute;cio e suas implica&ccedil;&otilde;es    dentro do sistema de cr&eacute;dito internacional. Pretendemos mostrar que a    domin&acirc;ncia da l&oacute;gica do capital especulativo e parasit&aacute;rio    conseguiu fazer com que a crise fosse praticamente solucionada para essa fra&ccedil;&atilde;o    do capital, atrav&eacute;s da interven&ccedil;&atilde;o estatal. Mas, agu&ccedil;ou    ainda mais as contradi&ccedil;&otilde;es apontando para um aprofundamento da    crise ou estagna&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Tratamos do papel do FED    e do d&oacute;lar no sistema e das enormes assimetrias criadas no interior do    sistema capitalista mundial e as enormes transfer&ecirc;ncias de valor e mais-valia    da periferia para o centro do sistema.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>PALABRAS CLAVE:</b>    capital especulativo, capital fict&iacute;cio, crise, parasit&aacute;rio.</font></p> <hr> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The present article    will study the fictitious capital, and its implications in the context of the    international credit system. It is our will to demonstrate that the prevalence    of the hot money, or parasitic capital, made possible to practically solve the    crisis for this part of the capital, through the state's intervention. But,    further sharpened the contradictions pointing to a deepening crisis or an economic    stagnation. The article will study the role of the Fed and the dollar system    and asymmetries created within the world capitalist system and the huge transfers    of value and surplus value from the periphery to the center of the system.</font>  </p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>KEYWORDS:</b>    hot money, fictitious capital, crisis, parasitic.</font></p> <hr>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><span style='font-family:Verdana'>Introdução</span></b></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A economia mundial passa    por mais uma grande depressão. Momento que reafirma a necessidade de solução    das contradições internas ao movimento do capital, numa dimensão muito mais    profunda do que aquela dos ajustes requeridos periodicamente para solucionar    as crises cíclicas tradicionais, de curta duração. As contradições que se explicitam    na atualidade resultam da extrapolação da natureza mais elementar da acumulação    capitalista (a busca incessante pela produção e pela apropriação diferenciada    da riqueza real excedente). Elas estão fundadas na produção e na apropriação,    em escala nunca vista, de riqueza fictícia de várias modalidades e no domínio    da lógica do capital especulativo e parasitário sobre as demais formas funcionais    do capital. Trata-se de um momento particular, em que o valor expresso ficticiamente    nas formas mais sofisticadas de especulação, de apostas sobre posições no futuro,    entra em contradição com o conjunto das relações sociais de produção do presente.    Por isso, esta crise, pela sua extensão, profundidade e duraçãopode ser considerada    como uma crise estrutural, cujas alternativas colocadas em prática indicam uma    saída que poderá ser cada vez mais dolorosa para as classes trabalhadoras em    escala mundial: </span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>se puede afirmar que esta    crisis es mucho más profunda que las seis crisis anteriores (desde 1974-1975).    Es la crisis de la globalización actual y del neoliberalismo como su base teórica.    Lo es también de las instituciones financieras internacionales, como el Fondo    Monetario Internacional y el Banco Mundial, cuya responsabilidad teórica y práctica    ha quedado como nunca en evidencia en este contexto (Caputo, 2012, p. 22).</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Alguns autores têm afirmado    que a crise, pela qual passa o capitalismo atualmente, não é somente uma crise    econômica, é uma multiplicidade de crises &quot;pois é financeira, econômica,    alimentícia, energética, meio-ambiental. Trata-se de uma crise sistêmica do    capitalismo &#091;...&#093; que questiona a ordem social da civilização    contemporânea&quot; (Gambina, 2012, p. 34). Antes mesmo do colapso do Lehman    Brothers, em 2008, Samir Amin já defendia que o mundo capitalista havia entrado    em um estágio de &quot;senilidade&quot;. &quot;Ora, esse envelhecimento implica    a instalação do caos permanente no sistema que o conduzirá seja -no melhor dos    casos- à sua superação através da abertura de um longo período de transição    ao socialismo, ou bem -na pior das hipóteses- à catástrofe e ao suicídio da    humanidade&quot; (Amin, 2002, p. 101). Até o momento, como resultado do aprofundamento    da crise, após 2002, o sistema mundial tem sido conduzido muito mais para a    segunda opção do que para a primeira, sejam nas guerras inconclusas no Afeganistão    e no Iraque, ou nas situações de graves conflitos nos países do norte da África    (em particular na Líbia e no Egito) e no Oriente Médio (Síria, Líbano, etc.).</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Além disso, a crise atual,    em suas múltiplas dimensões está colocando também em xeque a teoria econômica    ortodoxa dominante, cujas propostas estão produzindo um aprofundamento cada    vez maior dela em alguns países, em especial em Portugal, Irlanda, Itália, Grécia    e Espanha. As medidas impostas pela Troika (Comissão Europeia, Banco Central    Europeu e Fundo Monetário Internacional) à esses países, ao contrário de encaminhar    para uma solução dos seus problemas, aprofunda cada vez mais a crise, com taxas    negativas de crescimento do PIB, aumento maciço do desemprego, do déficit público    e da dívida soberana. Este questionamento não significa, entretanto, o fim do    neoliberalismo e de sua ideologia dominante no sistema hoje, pois, apesar da    profunda crise, são os capitalistas e seus intelectuais orgânicos que continuam    comandando as instituições internacionais e estatais, propondo as formas políticas    de intervenção pública. </span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Neste artigo, vamos estudar    o desenvolvimento do capital fictício (Marques e Nakatani, 2009, 2013) e suas    implicações dentro do sistema de crédito internacional. Pretendemos mostrar    que a dominância do capital especulativo e parasitário, amplamente disseminada    nas diversas formas de capital fictício, conseguiu fazer com que a crise fosse    praticamente solucionada para essa fração do capital, através da intervenção    estatal. Assim, a intervenção estatal na vulgarmente chamada &quot;crise financeira&quot;,    que detonou o sistema de crédito norte-americano, apesar dos enormes estragos    que está produzindo por todo o planeta, já restaurou quase todos os estoques    de riqueza fictícia aos níveis anteriores à 2007. Entretanto, deve-se ressaltar    que essa recuperação dos estoques de capital fictício recoloca em outro patamar    todo o potencial de uma nova crise que poderá ser ainda mais grave e profunda.</span></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A superacumulação de    capital, capital fictício e o capital speculativo parasitário    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Antecedentes </span></b></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Nos anos 1970, após a quebra    unilateral do acordo de Bretton Woods, por parte dos Estados Unidos, o sistema    de crédito internacional entrou em uma era de instabilidade e volatilidade crescentes.    Esse movimento foi seguido pela crise da dívida, no início dos anos 1980, nos    países cuja política de endividamento externo teve que submeter-se às regras    do sistema de crédito internacional, abarrotado de dólares(<a href="#1">1</a>)    em busca de aplicações. A política econômica do Governo Reagan produziu uma    enorme massa de capital monetário decorrente do pagamento de juros sobre a dívida    externa, que foram conduzidos para os bancos dos países desenvolvidos, aumentando    ainda mais a massa de moeda disponível.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Uma parcela considerável    desse gigantesco volume de dólares converteu-se em capital real, produzindo    notável expansão da economia americana e dos &quot;tigres e dragões asiáticos&quot;.    Nos demais países subdesenvolvidos ocorreu o contrário: uma década de estagnação    econômica, uma gigantesca punção sobre a riqueza produzida e o agravamento na    distribuição de renda e da riqueza. Outra parcela dos dólares sobrantes acumulou-se    na forma de novos empréstimos, de reservas dos Bancos Centrais de todos os países    e em aplicações especulativas de todos os tipos. Esse processo foi extremamente    facilitado pela desregulamentação dos mercados e pelo acelerado desenvolvimento    dos meios de comunicação e das redes de computadores, que permitiu a interligação    dos diferentes mercados em todo o mundo.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Na segunda metade dos anos    oitenta começou a popularizar-se uma nova expressão por todo o mundo: a globalização.    Essa palavra pretendeu, segundo os ideólogos do sistema, expressar a nova realidade    mundial: o fim da história com a vitória final do capitalismo; o fim dos Estados    nacionais com a supressão das fronteiras entre os países. Como política econômica,    a globalização propôs e efetivou a abertura e a desregulamentação dos mercados    (de bens, de serviços, de crédito e especulativos); a privatização das empresas    estatais; o aprofundamento da internacionalização da economia com o aumento    das vantagens para o ingresso de capitais estrangeiros; e a regulação econômica    dirigida pelo mercado. A rigor, essa regulação é efetuada pelas grandes corporações    monopolistas, comerciais, industriais e financeiras, que comandam todo o sistema    mundial. Entretanto, a livre mobilidade da força de trabalho sempre foi impedida    por vários meios. Barreiras de todo tipo foram construídas para impedir o acesso    dos trabalhadores dos países pobres aos mercados de trabalho dos países desenvolvidos.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Entretanto, o comércio internacional    depende fundamentalmente de um sofisticado sistema de financiamento. No momento    em que os países subdesenvolvidos tiveram que produzir enormes superávits comerciais,    para o pagamento de juros do endividamento externo, eles encontraram todo o    apoio no sistema internacional de crédito para financiar suas exportações. Isso    significa que esses países passaram a exportar e a receber dólares, mas, ao    mesmo tempo, a maior parte desses dólares acumulados na forma de saldos comerciais    passou a ser devolvida (na forma de juros e encargos da dívida)(<a name=22></a><a href="#2">2</a>)    sem qualquer contrapartida estrangeira. Dessa maneira, a riqueza produzida internamente,    nas nações endividadas, passou a ser transferida na forma valor e na forma valor    de uso para o centro do sistema(<a name=33></a><a href="#3">3</a>); restava    uma renda interna em busca de valores de uso que não mais existiam internamente    e aceleraram o processo de crescimento da inflação até o estágio da hiperinflação.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A consequência no sistema    internacional de crédito foi a aceleração dos movimentos internacionais do capital    na forma de moeda, ou capital monetário, em busca contínua de valorização. A    integração das bolsas de valores com os mercados de câmbio e com os fluxos de    apostas sobre as cotações das moedas e das taxas de juros no futuro permitiu,    inclusive, que os economistas defendessem a ideia da globalização. O volume    de transações internacionais de crédito e com ações atingiu magnitudes elevadíssimas.    Ao mesmo tempo, o mercado internacional de moedas e de derivativos(<a name=44></a><a href="#4">4</a>)    cresceu explosivamente desde a primeira metade dos anos 1990.(<a name=55></a><a href="#5">5</a>)    Essa tendência se manteve ao longo da década e avançou ainda mais na primeira    década do século XXI, ainda que ao longo desses anos tenham ocorrido os ciclos    de expansão e contração normais para o próprio sistema.(<a name=66></a><a href="#6">6</a>)    </span></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>O capital real, capital    fictício e o capital especulativo parasitário</span></b></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A acumulação de capital    real se expressa, principalmente, através da ampliação das atividades produtivas,    comerciais e de serviços não produtivos (bancos, aluguéis, etc.). O crescimento    dos países desenvolvidos e dos asiáticos a partir dos anos 1980 realizou-se    através de novos investimentos produtivos e do crescimento do comércio internacional.    Eles exigiram quantidades crescentes de dinheiro e de capital monetário para    o seu financiamento, que pode ser gerado no interior do próprio processo de    reprodução ampliada do capital. Neste processo existem quantidades de dinheiro    ociosas, valor acumulado do ponto de vista do capitalista industrial, comercial    ou de outros possuidores de riqueza, que são canalizadas para o sistema de crédito    e atendem às necessidades de reprodução desse capital.(<a name=77></a><a href="#7">7</a>)    O próprio crescimento do comércio internacional intrafirmas dispensa a necessidade    do capital na forma de dinheiro na medida em que os créditos no interior das    firmas podem ser cancelados entre si. O aumento do capital nas mais variadas    moedas (dólar, libra, yen, euro), além das necessidades da reprodução ampliada,    decorrente da superacumulação de capital, gerou volumes crescentes dessa modalidade    de recursos disponíveis, tornando-a desnecessária à acumulação do capital produtivo.    Dessa forma, o que aparece como falta de dinheiro no mercado, mais conhecido    como insuficiência de liquidez, é o seu contrário, o excesso de capital na esfera    do capital industrial, uma crise de superacumulação. </span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A aceleração no processo    de centralização do capital, desde os anos 1980, também reduziu relativamente    a necessidade de novas fontes de financiamento e aumentou a quantidade de dinheiro    disponível para o sistema de crédito internacional. Expandiram-se, então, as    atividades dos administradores de fundos de investimentos, dos investidores    institucionais, dos fundos de pensão, das seguradoras e dos detentores de grandes    fortunas. Esse novo volume de dinheiro disponível adicionou-se aos eurodólares    e petrodólares acumulados nas décadas anteriores. Esse conjunto excedente de    fontes de financiamento produziu um crescimento sem precedentes de capital na    forma dinheiro, descolado da acumulação real direta, que buscava valorizar-se    em uma forma específica de desenvolvimento da lógica do capital a juros: o capital    fictício.(<a name=88></a><a href="#8">8</a>) Esta forma do capital tem como    característica fundamental seu comportamento especulativo e como objetivo a    obtenção de renda sem produção de riqueza material, o que a caracteriza como    parasitária.</span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Essa massa excedente de    capital, então, circulou pelo mundo em busca de toda forma de valorização. Esses    recursos foram aplicados, fundamentalmente, em títulos públicos, títulos privados    e em bolsas de valores, característicos do mercado de papéis que representam    o capital fictício. Mas o crescimento da instabilidade do capitalismo mundial,    em decorrência do aguçamento de suas contradições gerou, em seu interior, a    busca de segurança (hedge) para o capital na forma dinheiro. Criaram-se, então,    novos títulos que deram segurança aos aplicadores: os derivativos. Estes multiplicaram    aceleradamente o capital fictício a partir de uma operação inicial, seja como    fruto da acumulação produtiva real ou de uma aplicação fictícia em papéis.(<a name=99></a><a href="#9">9</a>)    Contraditoriamente, a busca de segurança aguçou ainda mais a instabilidade do    sistema de crédito internacional e se refletiu na variação contínua das cotações    dos papéis (ações, debêntures, derivativos, etc.) nas bolsas de mercadorias    e de futuros, principalmente derivativos de juros e de câmbio.</span></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A recomposição(10) do    capital fictício após a crise de 2007</span></b></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Como já destacamos, uma    forma de capital fictício são os ativos bancários. Incluímos aqui, também, os    ativos das instituições não bancárias compilados pelo Banco de Compensações    Internacionais (BIS). Segundo os dados do BIS, os ativos totais dos bancos e    instituições financeiras de 30 países,(<a name=1111></a><a href="#n11">11</a>)    entre eles as maiores economias do mundo, com exceção da China continental,    atingiram um total de US$ 37,4 trilhões, em 2007. Em 2008, mesmo com o impacto    da crise, esse montante caiu para US$ 35,3 trilhões. Uma redução de apenas 5,8    %, como pode ser visto na <a href="/img/revistas/eyd/v154n1/t0101115.jpg">tabela    1</a>. A continuidade da crise, principalmente seus impactos nos países da área    do euro, gerou novas reduções nesse total, que caiu para US$ 33,6 trilhões,    uma redução de 10,1 % em relação a 2007, mas ainda superior ao total de 2006,    que era de US$ 29,5 trilhões. Praticamente todo esse montante gigantesco de    capital bancário, segundo Marx, é capital fictício.(<a name=1212></a><a href="#12">12</a>)    </span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Dessa forma, o impacto da    crise na desvalorização dessa forma de capital foi ínfimo, tanto para o capital    bancário como para o capital de instituições financeiras não bancárias, tanto    em suas aplicações domésticas como internacionais. Para efeitos de comparação,    em 2012 o PIB mundial estimado pelo Banco Mundial foi de US$ 71,6 trilhões.</span></p> <span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Outra forma de capital fictício,  segundo Marx, é constituída pelo que hoje é chamado de valor de mercado de uma  companhia organizada sob a forma de sociedade anônima ou sociedade por ações.  Esse valor de mercado é obtido pela multiplicação do preço das ações cotadas nas  bolsas de valores pela quantidade emitida delas. Assim, na medida em que uma empresa  consegue elevar seus lucros e os dividendos distribuídos, consequentemente, o  preço das ações aumenta, ou seja, a cotação das ações na bolsa é determinada,  em primeiro lugar, pela capitalização dos dividendos à taxa corrente de juros.  Em segundo lugar, a especulação no mercado de ações acrescenta outros determinantes.  Assim, a aposta que os dividendos possam ser maiores do que o esperado eleva o  preço das ações e o aumento de seus preços conduz à aposta que os preços serão  ainda maiores no futuro. Enfim, o preço de mercado deixa de representar o valor  capital original, ou o preço nominal da ação e, da mesma forma, deixa de representar  o valor patrimonial presente, inflando ficticiamente o capital. Esse processo  é conhecido como bolha financeira. A prática amplamente generalizada nos anos  1990, da remuneração parcial dos administradores das corporações através das stockoptions  inflou enormemente o valor de mercado dessas corporações, que utilizaram, inclusive,  todas as formas possíveis de fraudes, falcatruas e crimes. O documentário &quot;ENRON,  os mais espertos da sala&quot;, de Alex Gibney, ilustra muito bem esse processo.</span>      <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A magnitude dessa bolha    pode ser observada na <a href="/img/revistas/eyd/v154n1/t0201115.jpg">tabela    2</a>,(<a name=1313></a><a href="#13">13</a>) elaborada a partir dos dados recolhidos    e agregados pelo Banco Mundial. No período ascendente do ciclo, o valor de mercado    das empresas subiu de US$ 43,3 trilhões para US$ 64,6 trilhões, entre 2005 e    2007, crescimento de 49,2 %. No mesmo período o PIB mundial a preços correntes    passou de US$ 45,7 trilhões para US$ 55,8 trilhões, ou seja, cresceu muito menos    (22,1 %) do que o capital fictício nas bolsas de valores (Banco Mundial, 2013).    Esse comportamento dos valores de mercado em relação ao PIB mundial ocorreu    da mesma forma nas várias regiões agregadas pelo Banco Mundial, quando fazemos    a mesma comparação, ou seja, o valor de mercado cresceu mais do que o PIB no    momento ascendente do ciclo e ainda não voltou ao mesmo patamar, superior ao    PIB, após todos os anos que decorreram desde 2007.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Com a eclosão da crise,    o valor de mercado das corporações nas bolsas de valores se desvalorizou em    46 %, caindo para US$ 34,9 trilhões de dólares. A partir daí, o montante foi    crescendo gradativamente e atingiu US$ 53,2 trilhões em 2012, mas ainda muito    abaixo do PIB mundial, que atingiu US$ 71,7 trilhões em 2012.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Por outro lado, o capital    fictício na forma da dívida pública não sofreu nenhuma desvalorização com a    crise, como pode ser observado na <a href="/img/revistas/eyd/v154n1/t0301115.jpg">tabela    3</a>. Os dados compilados pelo BIS referente à divida interna dos governos    de trinta e cinco países mostram que a dívida cresceu continuamente entre 2005    e 2011, apresentando uma aceleração logo após 2008. Entretanto, os países europeus    que mais estão sofrendo com a crise da dívida soberana mostraram um crescimento    menos acelerado da dívida ou mesmo a queda no caso da Grécia. Os maiores devedores    são os Estados Unidos, Japão, Itália, Alemanha e França. Os dois primeiros eram    responsáveis por 60,9 % do total. A dívida do Japão, em 2012, chegou a US$ 14,6    trilhões ou 230 % do PIB, segundo o Der Spiegel (2013). Por seu lado, os Estados    Unidos aumentaram sua dívida para US$ 16,1 trilhões no final do ano fiscal de    2012, segundo as informações do GAO.(<a name=1414></a><a href="#14">14</a>) </span></p> <span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Enfim, os derivativos constituem  uma forma de capital fictício, que não existia em um volume importante no tempo  de Marx; ele se desenvolveu a partir das mudanças que ocorreram após o fim do  sistema de taxas fixas de câmbio depois do acordo de Bretton Woods, em 1971, quando  o presidente Richard Nixon decretou o fim da conversibilidade do dólar em ouro.  Esse sistema, que dava alguma estabilidade ao conjunto de taxas de juros internacionais,  mantinha igualmente essas taxas em níveis relativamente baixos e estáveis. Assim,  durante o período de vigência desse acordo, o sistema de crédito mundial foi associado  ao dólar, que assumiu o papel de dinheiro mundial, tendo sido ancorado ao ouro  à razão de US$ 35,00 dólares por onça. Após o fim do acordo, o dólar foi desvinculado  do ouro, mas continuou exercendo o papel de dinheiro mundial na forma de dinheiro  fictício, mesmo que na aparência, nos manuais ortodoxos de economia e nos registros  do sistema, o dólar tenha se convertido em papel moeda de curso forçado sem nenhum  valor intrínseco. </span>      <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A <a href="/img/revistas/eyd/v154n1/t0401115.jpg">tabela    4</a> mostra os saldos dos derivativos registrados pelo BIS, o total passou    de US$ 297,7 trilhões em 2005, para US$ 632,6 trilhões, em valores nocionais,    em 2012. O total sofreu uma ligeira redução somente entre 2007 e 2008. Esse    montante, em valores nocionais, não reflete exatamente o volume de negócios,    pois são contratos futuros que podem conter contratos de opções, que podem ser    exercidas ou não, contratos a termo e contratos de swaps. Além disso, os contratos    de derivativos são saldados no vencimento apenas com a variação da taxa de juros,    da taxa de câmbio ou dos preços das commodities,(<a name=1515></a><a href="#15">15</a>)    quando a variação não tenha sido saldada no final de cada mês para evitar um    saldo final muito elevado. Podemos observar que os derivativos de taxa de juros    são os mais importantes, pois representam mais de 70 % do total, em contrapartida,    os derivativos criados a partir dos preços das mercadorias, representam em média    menos de 1 % do total.</span></p> <span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A especulação cambial na esfera  financeira é efetuada em um mercado específico, o mercado de moedas. Neste mercado  são comprados e vendidos principalmente dólares, euros, yens e a libra esterlina.  O objetivo é ganhar comprando nos mercados onde a moeda está mais barata e vender  nos mercados onde está mais cara. Os economistas chamam isso de arbitragem. Outro  objetivo é a aposta sobre as cotações das moedas no futuro, estas apostas são  feitas através dos contratos de swaps cambiais. O volume de negócios global no  mercado de câmbio não sofreu nenhum efeito grave da crise iniciada em 2007. A  média diária de negócios, estimada sempre no mês de abril pelo BIS, que era de  US$ 1,934 trilhão de dólares, em 2004, passou para US$ 3,324 trilhões, em 2007,  para US$ 3,971 trilhões, em 2010 e para US$ 5,345 trilhões de dólares, em 2013  (BIS, 2013, p. 9). Deste total, 80 % foram em dois tipos de operações, US$ 2,046  trilhões em operações à vista e US$ 2,228 em swaps cambiais; os 20 % restante  foram em outras operações. Considerando um mês com vinte dias úteis, o volume  mensal de negócios nesse mercado seria de US$ 106,9 trilhões de dólares, muito  mais do que todo o PIB mundial do ano de 2012. </span>      <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Os dados apresentados nas    tabelas 1 a 4 constituem formas de capital fictício que exigem remunerações    sem participarem diretamente na produção de riqueza, com exceção da parcela    do ativo bancário e das instituições financeiras que possam estar financiando    capital produtivo. Neste ativo, pode estar a contrapartida de parte dos títulos    das dívidas públicas que, atualmente, estão crescendo somente através de juros    capitalizados em novas dívidas. As ações constituem duplicações do capital real    acumulado nas corporações, entretanto em sua forma de capital fictício, serve    para manter as apostas especulativas nas variações de preços. Assim, uma parte    importante desse capital é remunerada sem nenhuma contribuição para a produção    de riqueza. Por outro lado, como os ganhos e perdas das apostas ocorrem entre    os especuladores no mercado essa parcela se constitui em transferências entre    os próprios capitalistas e especuladores.</span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Efeitos da especulação    parasitária em escala mundial    <br>   Os impactos monetários da crise</span></b></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Durante os períodos descendentes    do ciclo econômico os governos costumam adotar medidas anticíclicas para estimular    a produção e amenizar o desemprego. Nesse momento, uma parte do capital acumulado,    aquela menos eficiente e menos produtiva, costuma ser desvalorizada e, no limite,    destruída. A intervenção pública nesses momentos tem como objetivo evitar que    toda essa parcela ineficiente seja destruída e que possa ser incorporada a outras    frações mais avançadas do capital, em seus respectivos setores de atividade.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Entre 2007 e 2008, vimos    que os estoques acumulados de capital na esfera financeira atingiram seus montantes    mais elevados. Esse total, exigindo remunerações que a esfera produtiva não    tinha mais condições de oferecer, conduziu a circulação do capital a romper    o ciclo que acontecia através das contínuas metamorfoses entre mercadorias e    dinheiro. </span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Como foi amplamente divulgada,    em 2008, a principal medida anticrises tomada pelo governo dos Estados Unidos    visou a salvação dos grandes bancos, seguradoras e outras instituições financeiras    envolvidas na crise. Isso, sem contar grandes corporações industriais como a    General Motors,(<a name=1616></a><a href="#16">16</a>) por exemplo. Podemos    observar esse momento, entre 2007 e 2008, no <a href="/img/revistas/eyd/v154n1/f0101115.jpg">gráfico    1</a>.</span></p> <span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>De 2000 até 2007, o Federal  Reserve System (FED), o Banco Central dos Estados Unidos, manteve um crescimento  regular da base monetária em uma tendência praticamente linear. Assim a base monetária  (linha pontilhada) foi expandida de US$ 585 bilhões de dólares em 2000, para US$  825 bilhões em 2007, um crescimento de 41,0 %, ou 5,8 % na média anual. Mas, em  2008, a base monetária sofreu um aumento gigantesco indo para US$ 1 655 bilhões  de dólares, um aumento de 100 %, em apenas um ano. Nos anos seguintes, o FED continuou  com a mesma política de expansão da base, que foi aumentada para US$ 2 010 bilhões  de dólares, em 2010, e US$ 2 615 bilhões de dólares, em junho de 2012.(<a name=1717></a><a href="#17">17</a>)  Esse aumento da base monetária foi realizado através de três medidas monetárias  anticrises, os &quot;quantitative easing 1, 2 e 3&quot; chamado de &quot;afrouxamento  monetário&quot;, o primeiro foi iniciado em 2008 e provocou o primeiro salto na  base, o segundo começou em novembro de 2010 e o terceiro foi anunciado em setembro  de 2012 e ainda continua em vigor. No primeiro, o FED comprou US$ 600 bilhões  de dólares em derivativos imobiliários, no segundo, mais US$ 600 bilhões de dólares  em títulos do Tesouro e no terceiro, começou comprando US$ 40 bilhões de dólares  por mês e aumentou para US$ 85 bilhões de dólares a partir de dezembro de 2012,  em títulos imobiliários ou garantidos por hipotecas. Ao mesmo tempo, o FED tem  mantido a taxa interna básica de juros, a prime rate, entre zero e 0,25 % ao ano,  desde o final de 2008, e o FED tem a intenção de mantê-la neste patamar até o  ano de 2015.</span>      <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A segunda linha do gráfico    1 (linha contínua), mostra o comportamento da variável chamada de M1, ou Meios    de Pagamentos. Segundo os manuais de economia, essa é a medida da quantidade    de moeda disponível na economia e é um múltiplo da base monetária. É, também,    o resultado da criação secundária de moeda a partir da criação primária, ou    da base monetária, efetuada pelo Banco Central. Assim, segundo os manuais de    economia, tanto ortodoxos quanto heterodoxos, o comportamento apresentado por    essa variável deveria ser impossível. Em 2000, o M1 atingia o montante de US$    1 088 bilhões de dólares e chegou a US$ 1 375 bilhões, em 2007, um crescimento    de 26,4 %, ou de 3,8 % na média anual. A partir de 2008, o M1 tem-se mantido    sistematicamente abaixo da base monetária, quando deveria estar sempre acima,    como podemos ver no gráfico 1. Além disso, pode-se observar &quot;saltos&quot;    no crescimento da base monetária de um patamar a outro a cada pacote do &quot;quatitative    easing&quot;, mas seguido por uma criação secundária de moeda, numa tendência    linear, abaixo da base. Devemos esclarecer que a diferença entre o M1 e a base    monetária decorre da expansão interna do crédito ou empréstimos às famílias,    empresas e governo, central ou subnacionais.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Antes de avançar ainda mais    nessas observações sobre o dólar, apresentamos o <a href="/img/revistas/eyd/v154n1/f0201115.jpg">gráfico    2</a>, com as mesmas variáveis mostradas no gráfico 1. Este se refere aos países    que constituem a área do Euro, uma parte dos países da União Europeia. Pode-se    dizer que esse gráfico é uma versão &quot;comportada&quot; do mecanismo de criação    primária e secundária de moeda descrita nos manuais de economia. Assim, o Banco    Central Europeu (BCE) efetua a criação primária e os Bancos criadores de moeda    a multiplicam dentro do sistema constituído pelos países que formam a &quot;Comunidade    do Euro&quot;. Mas, mesmo assim, essas informações estatísticas não são suficientes    para permitir uma explicação dos mercados globais de moedas e dos fluxos de    capitais entre os países.</span></p> <span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Devemos, também, esclarecer  aos leitores que há uma profunda diferença entre estes dois Bancos Centrais e  suas políticas monetárias. O FED é uma instituição privada que recebeu uma função  pública no início do século XX, e o BCE é uma instituição pública, criada pelos  países que compõem a União Europeia, que tem o estatuto de um Banco Central independente.  O FED costuma criar moeda através da compra de títulos da dívida do Tesouro dos  Estados Unidos e revendê-los aos bancos, empresas, famílias e a outras esferas  do governo no &quot;open market&quot;, que é o equivalente ao Mercado Aberto do  Brasil, ou recompra esses títulos e efetua pagamentos por conta do Tesouro. Assim,  o financiamento do Tesouro dos Estados Unidos é feito diretamente pelo FED. O  segundo, o BCE, cria moeda através da compra de títulos de dívida dos bancos privados,  estes bancos compram os títulos de dívida dos Tesouros Nacionais tornando-se,  assim, os responsáveis pelo financiamento do Tesouro dos países da Área do Euro  e os Bancos Centrais de cada país perdeu a soberania para a execução de uma política  monetária. Assim, o papel da taxa básica de juros também é totalmente distinto  em cada um dos dois casos.</span>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A disseminação do dólar    no sistema de credito mundial</span></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A incongruência que encontramos    nos dados mostrados no <a href="/img/revistas/eyd/v154n1/f0101115.jpg">gráfico    1</a> pode ser explicada pela saída de dólares dos Estados Unidos para o resto    do mundo. Mas, não dólares como dinheiro, mas como capital portador de juros    na sua forma específica de capital fictício.(<a name=1818></a><a href="#18">18</a>)    Assim, a monetização das dívidas pública e privada nos Estados Unidos, efetuada    pelo FED, encontra como alternativa de valorização os países onde o capital    especulativo e parasitário, registrado nos balanços de pagamentos como &quot;Investimento    em Carteira, ou Portfólio&quot;, encontram remunerações como dividendos, taxas    de juros, ou ganhos de capital mais elevadas do que nos Estados Unidos. Mas,    mesmo os &quot;Investimentos Estrangeiros Diretos&quot;, considerados investimentos    &quot;bons&quot; (sic), cujo critério de registro nos balanços de pagamentos    é a aquisição de pelo menos 10 % das ações de uma empresa, não deixam de manter    uma possibilidade especulativa e de curto prazo. A dimensão especulativa e parasitária    desses recursos registrados nessas duas rubricas do balanço de pagamentos pode    ser confrontada com a remessa de lucros, juros e ganhos de capital que cresceu    aceleradamente após a crise chamada de financeira.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>O <a href="/img/revistas/eyd/v154n1/f0301115.jpg">gráfico    3</a> mostra o total acumulado, entre 2000 e 2012, no saldo do balanço de pagamento    em conta corrente de alguns países selecionados. Como se pode ver, os países    com os maiores saldos negativos são Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, Itália,    Grécia, Portugal e França. Este saldo, segundo os manuais de economia, representa    o ingresso (saldo negativo) ou o envio (saldo positivo) de poupança ao exterior.    Assim, durante esse período os Estados Unidos receberam um montante de US$ 7    116 bilhões de dólares do resto do mundo, a maior parte para financiar o déficit    na balança de mercadorias. Somente três países, o Japão, a Alemanha e a China,    foram responsáveis por US$ 5 929 bilhões ou 83,3 %, dos recursos para o financiamento    desse déficit.(<a name=1919></a><a href="#19">19</a>) Se incluirmos os déficits    dos demais países europeus o montante total chega a US$ 9 804 bilhões de dólares    de saldo negativo na conta corrente do balanço de pagamentos. Esses números    estão indicando uma gigantesca assimetria no sistema mundial.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Para esclarecer melhor o    mecanismo básico de funcionamento desse sistema, temos que considerar que o    dólar, junto com algumas moedas, está funcionando como o dinheiro mundial e    por isso os Estados Unidos podem manter déficits recorrentes na balança comercial    sem nenhum problema, enquanto o dólar continuar sendo aceito para a conclusão    das transações internacionais. Assim, podemos dizer que os Estados Unidos importam    mercadorias do resto do mundo e pagam com dinheiro fictício, que se converte    em capital fictício no sistema internacional de crédito. O mesmo pode ser dito    sobre o Euro e a Libra Esterlina, moedas que são amplamente negociadas no mercado    mundial de câmbio e fazem parte das reservas internacionais dos diferentes países.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A contrapartida do déficit    em conta corrente dos países desenvolvidos aparece, em parte, nos dados que    podemos observar no <a href="/img/revistas/eyd/v154n1/f0401115.jpg">gráfico    4</a>. Os países que obtêm saldos positivos na balança comercial acumulam estes    saldos em suas reservas, em dólares,(<a name=2020></a><a href="#20">20</a>)    aqueles que não conseguem obter esses saldos positivos, têm que abrir mais a    economia para atrair investimentos estrangeiros diretos ou em portfólio. A China    é a campeã em reservas acumuladas, US$ 3 331 bilhões de dólares no final de    2012, com cerca de 60 % desse total em dólares, seguida pelo Japão, US$ 1 227    bilhões, Arábia Saudita, US$ 656 bilhões e Federação Russa, US$ 487 bilhões.</span></p> <span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Essa enorme assimetria no sistema  mundial vem se acumulando desde o início das políticas neoliberais de abertura  e desregulamentação das economias nacionais, da privatização das empresas estatais  e da redução do papel do Estado na regulação das atividades econômicas. Se antes  desse período, os países deviam manter um montante de reservas para garantir as  importações, após esse período os países acumulam reservas, principalmente os  mais frágeis, quando podem, para enfrentarem ataques especulativos.</span>      <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>O Brasil, por exemplo, acumulou    US$ 370 bilhões de dólares em reservas internacionais. Isso representa mais    de 20 meses de importações, considerando a média mensal de 2012, que foi de    US$ 18,6 bilhões. No passado, considerava-se aceitável dois ou três meses. Atualmente,    em junho de 2013, o Brasil conta com um saldo de US$ 721,8 bilhões na conta    de investimento estrangeiro direto e de US$ 558,7 bilhões de capital estrangeiro    na conta de investimentos em carteira, esse saldo, em março de 2013 era de US$    608,9 bilhões, uma redução de US$ 50,2 bilhões em apenas três meses (BCB, 2013).    Assim, uma fuga da metade desse capital especulativo consumiria cerca de US$    300 bilhões de dólares das reservas. </span></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Considerações finais    </span></b></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Os resultados que pudemos    observar até o momento mostra que a crise, iniciada em 2007, continua desenvolvendo    as contradições internas à dinâmica do capital e pressionando a transferência    de valor e mais valia dos países mais frágeis para os mais fortes dentro do    sistema e dos trabalhadores para os capitalistas, entre os Estados Nacionais    e entre as classes sociais.</span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>A enorme assimetria que    observamos no sistema capitalista mundial não significa uma tendência à queda    e nem ao colapso da economia dos Estados Unidos, pelo contrário, mostra a força    da posição hegemônica conquistada e consolidada por esse país depois da Segunda    Guerra Mundial. Não há, até o momento, nenhum sistema monetário que possa assumir    o papel de substituto do dólar e nem uma tendência forte à uma nova regulação    econômica que conduza à supressão dos capitais especulativos e parasitários    denominados em dólar. Algumas tentativas de reorganização do sistema de pagamentos    internacionais, por exemplo, os acordos que a China tem estabelecido com vários    países para eliminar o dólar em suas transações bilaterais não são suficientes    para isso. Sem considerar que os países que tem alguns trilhões de dólares em    suas reservas, como China e Japão, encontram-se em uma armadilha, pois uma desvalorização,    abrupta e acelerada, do dólar produziria uma brutal perda para eles. </span></p>     <p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Mais ainda, os Estados Unidos    encontram-se em uma posição semelhante àquela do início e do final dos anos    1970, quando transferiu para o resto do mundo as perdas do fim da conversibilidade    do dólar, em setembro de 1971, e obteve grandes benefícios com a política de    elevação da taxa básica de juros no início dos anos 1980. Nas condições atuais,    um pequeno aumento na taxa básica de juros dos Estados Unidos produziria rápida    fuga de capitais, de todos os países em que o estoque de investimento em portfólio    seja importante, e uma acelerada desvalorização cambial.(<a name=2121></a><a href="#21">21</a>)<b>    </b></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><span style='font-size:10.0pt;font-family:Verdana'>Por outro lado, ao contrário    do que seria de esperar, a crise não está se constituindo em um fator no qual    as condições subjetivas de organização e de pressão por mudanças anticapitalistas    estejam em pleno desenvolvimento. Mesmo que tenha havido um relativo ascenso    das lutas sociais por todas as partes do mundo neste período de crise. É possível    que parte dessas tendências políticas e de parte dos movimentos sociais seja    devido à própria dificuldade de compreensão desses fenômenos contemporâneos    do capital fictício, seja devido à alienação, ou seja devido à sistemática campanha    realizada pelos intelectuais orgânicos da burguesia através dos seus meios e    instrumentos de produção e difusão ideológica. Se isso for correto, seria necessário    que se executasse um aprofundamento um detalhamento e o avanço nos estudos sobre    o capital fictício, e o capital especulativo e parasitário e sua disseminação    para camadas mais amplas da sociedade.</span></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <br>   <font size="3"><b>REFERENCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">AMIN, S. (2002):    Au-del&agrave; du capitalisme s&eacute;nile, Presses Universitaires de France,    Paris.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BANCO MUNDIAL (2013):    &quot;Indicadores&quot; &lt;<a href="http://data.worldbank.org/indicator/" target="_blank">http://data.worldbank.org/indicator/</a>&gt;    [30/7/2013].    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BANCO CENTRAL DO    BRASIL (BCB) (2013): Economia e Finan&ccedil;as. S&eacute;ries Temporais. &lt;<a href="http://www.bcb.gov.br/?serietemp" target="_blank">http://www.bcb.gov.br/?serietemp</a>&gt;    [1/12/2013].    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BANCO CENTRal Europeu    (BCE) (2013) &quot;Monetary operations&quot;, &lt;<a href="http://sdw.ecb.europa.eu/browseTable.do?node=2018802&FREQ=M&BS_ITEM=LT01&sfl1=3&sfl3=4&DATASET=0&DATASET=1&" target="_blank">http://sdw.ecb.europa.eu/browseTable.do?node=2018802&amp;FREQ=M&amp;BS_ITEM=LT01&amp;sfl1=3&amp;sfl3=4&amp;DATASET=0&amp;DATASET=1&amp;</a>&gt;    [30/7/2013].    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BANK FOR INTERNATIONAL    OF SETTLEMENT (BIS) (2012): Quarterly Review, Basel, &lt;<a href="http://www.bis.org/cbhub/list/series/sid_57/from_01012012/index.htm" target="_blank">http://www.bis.org/cbhub/list/series/sid_57/from_01012012/index.htm</a>&gt;    [30/7/2013].    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BANK FOR INTERNATIONAL    OF SETTLEMENT (BIS) (2013): &quot;Foreign Exchange Turnover in April 2013: Preliminary    Global Results&quot;, Basel, &lt;<a href="http://www.bis.org/publ/rpfx13fx.pdf" target="_blank">http://www.bis.org/publ/rpfx13fx.pdf</a>&gt;    [10/12/2013].    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CAPUTO, O. (2012):    &quot;Econom&iacute;a Mundial como cr&iacute;tica a la interpretaci&oacute;nfinanciera    de la crisis&quot;, en J. Estay Reyno et al., El neoliberalismo y su crisis.    Causas, escenarios y posibles desenvolvimientos, Redem, Santiago de Chile.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CERQUEIRA, C. A.    (1997): D&iacute;vida Externa Brasileira. Processo negocial 1983-1996, BCB,    Bras&iacute;lia.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CHESNAIS, F. (1998):    A mundializa&ccedil;&atilde;o financeira, Xam&atilde;, S&atilde;o Paulo.    <br>   FEDERAL RESERVE (FED) (2013): &quot;Board of Governors of the Federal Reserve    System&quot;, &lt;<a href="http://www.federalreserve.gov/releases/H3/default.htm" target="_blank">http://www.federalreserve.gov/releases/H3/default.htm</a>&gt;    [30/7/2013].</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FOLHA DE S&Atilde;O    PAULO (2013): &quot;EUA perdem US$ 11 bi com aporte na GM&quot;, &lt;<a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/142964-eua-perdem-us-11-bi-com-aporte-na-gm.shtml" target="_blank">http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/142964-eua-perdem-us-11-bi-com-aporte-na-gm.shtml</a>&gt;    [10/12/2013].    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GAMBINA, J. (2012):    &quot;Aspectos estructurales y coyunturales de la crisis &quot;, en J. Estay    Reyno et al., El neoliberalismo y su crisis. Causas, escenarios y posibles desenvolvimientos,    Redem, Santiago de Chile.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GON&Ccedil;ALVES,    R. (1998): &quot;A volatilidade do sistema financeiro internacional e a vulnerabilidade    das economias nacionais&quot;, II Encontro Nacional de Economia Pol&iacute;tica,    S&atilde;o Paulo, Anais do II Encontro Nacional de Economia Pol&iacute;tica,    vol. 2, pp. 310-325.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MARQUES, R. M.    e NAKATANI, P. (2009): O que &eacute; o capital fict&iacute;cio e sua crise,    Brasiliense, S&atilde;o Paulo.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MARQUES, R. M.    e NAKATANI, P. (2013): &quot;El capital ficticio y sucrisis&quot;, em C. S.    Florese, C. L. Cort&eacute;s, La crisis global y el capital fict&iacute;cio,    Editorial Arcis e Clacso, Santiago do Chile, pp. 15-70.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MARX, K. (1986):    O Capital, Livro III, vol. IV e vol. V, Nova Cultural, S&atilde;o Paulo.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MCKINSEY GLOBAL    INSTITUTE (2008): Mapping global capital markets: fifth annual report, &lt;<a href="http://www.mckinsey.com/insights/global_capital_markets/mapping_global%20capital%20markets_fifth_annual_report" target="_blank">http://www.mckinsey.com/insights/global_capital_markets/mapping_global    capital markets_fifth_annual_report</a>&gt; [1/12/2013].    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SPIEGEL, DER (2013):    &quot;The Greece of Asia: Japan's Growing Sovereign Debt Time Bomb&quot;, Spiegel    Online International, &lt;<a href="http://www.spiegel.de/international/world/massive-japanese-sovereign-debt-could-become-global-problem-a-875641.html" target="_blank">http://www.spiegel.de/international/world/massive-japanese-sovereign-debt-could-become-global-problem-a-875641.html</a>&gt;    [6/12/2013].    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">U. S. Government    Accountability Office (GAO) (2013): &quot;Fiscal Outlook &amp; The Debt&quot;,    &lt;<a href="http://www.gao.gov/special.pubs/longterm/debt/debtbasics.html" target="_blank">http://www.gao.gov/special.pubs/longterm/debt/debtbasics.html</a>&gt;    [2/12/2013].    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">WACHTEL, H. M.    (1988): Os mandarins do dinheiro, Nova Fronteira, Rio de Janeiro.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> RECIBIDO: 12/9/2014</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> ACEPTADO: 20/10/2014</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <br>       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Paulo Nakatani Departamento de Economia e do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Pol&iacute;tica Social da UFES, Brasil. Correo electr&oacute;nico: <a href="mailto:paulonakatani@gmail.com">paulonakatani@gmail.com</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Helder Gomes Programa    de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Pol&iacute;tica Social da UFES, Brasil.    Correo electr&oacute;nico: <a href="mailto:helgomes@uol.com.br">helgomes@uol.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <br>   <font size="3"><b>NOTAS ACLARATORIAS    <br>       <br>   </b></font></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="1"></a><a href="#11">1</a>.    &quot;De um modesto come&ccedil;o em 1964, com cerca de US$ 11 bilh&otilde;es,    o sistema tinha crescido para US$ 40 bilh&otilde;es em 1969 -e isto em n&uacute;meros    conservadores. Digo n&uacute;meros conservadores porque existem v&aacute;rias    estimativas diferentes sobre o volume de eurod&oacute;lares existente em 1969:    os n&uacute;meros oscilam entre US$ 40 bilh&otilde;es e US$ 85 bilh&otilde;es&quot;    (Wachtel, 1988, p. 98). Em seguida, com as crises do petr&oacute;leo em 1973    e 1979, esse volume de moeda transformou-se preponderantemente em petrod&oacute;lares,    que cresceram aceleradamente. &quot;Desde o primeiro aumento dos pre&ccedil;os    do petr&oacute;leo em 1973 at&eacute; o aumento de pre&ccedil;os do fim da d&eacute;cada,    os excedentes da OPEP totalizaram US$ 357 bilh&otilde;es&quot; (Wachtel, 1988,    p. 104). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="2"></a><a href="#22">2</a>.    Em dezembro de 1981, a d&iacute;vida externa brasileira total, p&uacute;blica    e privada, era de US$ 61,4 bilh&otilde;es e em dezembro de 1995, essa d&iacute;vida    saltou para US$ 129,3 bilh&otilde;es (Cerqueira, 1997, p. 144). O saldo acumulado    da Balan&ccedil;a Comercial, entre 1982 e 1995, foi de US$ 144,5 bilh&otilde;es    e o total de juros l&iacute;quidos pagos foi de US$ 114,2, mais US$ 183,4 bilh&otilde;es    de amortiza&ccedil;&otilde;es (BCB, 2013). Assim, quase 80 % do saldo da balan&ccedil;a    comercial foi utilizado para o pagamento de juros da d&iacute;vida externa e,    apesar das amortiza&ccedil;&otilde;es no per&iacute;odo corresponderem a quase    tr&ecirc;s vezes o saldo inicial da d&iacute;vida, o Brasil terminou o per&iacute;odo    com uma d&iacute;vida que era cerca de duas vezes o montante inicial.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="3"></a><a href="#33">3</a>.    As exporta&ccedil;&otilde;es de mercadorias e servi&ccedil;os constituem-se    na transfer&ecirc;ncia de valores de uso para o exterior em troca de valor representado    por d&oacute;lares que, atrav&eacute;s das importa&ccedil;&otilde;es, poderiam    repor os valores de uso internos. A devolu&ccedil;&atilde;o dos d&oacute;lares    obtidos com as exporta&ccedil;&otilde;es a t&iacute;tulo de juros, amortiza&ccedil;&otilde;es,    lucros ou ganhos de capital impede que ocorra esse tipo de convers&atilde;o    e o resultado &eacute; a transfer&ecirc;ncia da riqueza material produzida internamente    sem nenhuma contrapartida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="4"></a><a href="#44">4</a>.    S&atilde;o chamados derivativos os t&iacute;tulos de apostas especulativas (sobre    cota&ccedil;&otilde;es de moedas e taxas de juros no futuro) de alto risco que    derivam de (ou s&atilde;o lastreados por) t&iacute;tulos prim&aacute;rios tais    como a&ccedil;&otilde;es de empresas, t&iacute;tulos de d&iacute;vida p&uacute;blica,    etc.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="5"></a><a href="#55">5</a>.    &quot;Nos &uacute;ltimos dez anos o volume de recursos (B&ocirc;nus, Euronotas,    Empr&eacute;stimos banc&aacute;rios e Emiss&atilde;o de A&ccedil;&otilde;es)    quadruplicou, passando de US$ 395 bilh&otilde;es em 1987 para US$ 1 597 bilh&otilde;es    em 1996&quot;; e &quot;...o volume di&aacute;rio das transa&ccedil;&otilde;es    no mercado de moedas aumentou de US$ 718 bilh&otilde;es em 1989 para US$ 1 572    bilh&otilde;es em 1995&quot;. No mercado de derivativos, &quot;enquanto o valor    total das transa&ccedil;&otilde;es aumentou de US$ 618 bilh&otilde;es em 1986    para US$ 9 185 bilh&otilde;es em 1995, o n&uacute;mero de contratos negociados    aumentou de 315 milh&otilde;es para 1 210 milh&otilde;es em 1995&quot; (Gon&ccedil;alves,    1997, pp. 314, 316, 318).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="6"></a><a href="#66">6</a>.    O mercado global de derivativos, segundo os montantes em valores nocionais,    atingiu US$ 297,7 trilh&otilde;es em dezembro de 2005, e chegou a US$ 414,3    trilh&otilde;es um ano depois, atingindo US$ 632,6 trilh&otilde;es, em 2012,    segundo BIS (2012). J&aacute; o mercado internacional de moedas, que movimentava    US$ 1,5 trilh&atilde;o di&aacute;rios, em m&eacute;dia, no m&ecirc;s de abril    de 1998, </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="7"></a><a href="#77">7</a>.    passou para US$ 5,3 trilh&otilde;es di&aacute;rios em abril de 2013 (BIS, 2013).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="8"></a><a href="#88">8</a>.    &quot;Temos a&iacute;, primeiro, a parte do lucro, que n&atilde;o &eacute; despendida    como rendimento, mas &eacute; destinada &agrave; acumula&ccedil;&atilde;o, mas    para a qual os capitalistas industriais n&atilde;o t&ecirc;m, no momento, emprego    em seu pr&oacute;prio neg&oacute;cio... a parte que deve ser gasta como rendimento    &eacute; consumida pouco a pouco, mas constitui, no entretempo, como dep&oacute;sito,    capital de empr&eacute;stimo com o banqueiro... com o desenvolvimento do sistema    de cr&eacute;dito e de sua organiza&ccedil;&atilde;o, at&eacute; o aumento do    rendimento, isto &eacute;, do consumo dos capitalistas industriais e comerciais,    se exprime como acumula&ccedil;&atilde;o de capital de empr&eacute;stimo. E    isso vale para todos os rendimentos, &agrave; medida que se consomem pouco a    pouco, portanto para a renda fundi&aacute;ria, o sal&aacute;rio em suas formas    superiores, as receitas das classes improdutivas, etc.&quot; (Marx, 1986, p.    39).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="9"></a><a href="#99">9</a>.    Para Marx os t&iacute;tulos p&uacute;blicos e as a&ccedil;&otilde;es negociadas    na Bolsa representam formas espec&iacute;ficas de capital fict&iacute;cio. Mas    n&atilde;o &eacute; s&oacute; isso, outros tipos de t&iacute;tulos tamb&eacute;m    s&atilde;o capitais fict&iacute;cios. &quot;Mesmo l&aacute; onde o t&iacute;tulo    de d&iacute;vida -o t&iacute;tulo de valor- n&atilde;o representa, como no caso    das d&iacute;vidas p&uacute;blicas, um capital puramente ilus&oacute;rio, o    valor-capital desse t&iacute;tulo &eacute; puramente ilus&oacute;rio&quot; (Marx,    1986, p. 11). Entre 1980 e 1992 o estoque dos chamados &quot;ativos financeiros&quot;    passou de US$ 10,7 trilh&otilde;es para US$ 35,5 trilh&otilde;es. A composi&ccedil;&atilde;o    desses ativos, em 1991/1992, era a seguinte: divisas, 32 %, t&iacute;tulos internacionais,    4 %, t&iacute;tulos p&uacute;blicos, 25 %, t&iacute;tulos de empresas, 10 %,    a&ccedil;&otilde;es, 29 % (Chesnais, 1998, p. 27). Segundo dados do McKinsey    Global Institute, divulgados em outubro de 2008, esse estoque de ativos financeiros    atingiu US$ 117 trilh&otilde;es em 2003, US$ 142 trilh&otilde;es em 2005, US$    167 trilh&otilde;es em 2006, e US$ 196 trilh&otilde;es em 2007 (McKinsey, 2008,    p. 9).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="10"></a><a href="#1010">10</a>.    &quot;Com o desenvolvimento do capital portador de juros e do sistema de cr&eacute;dito,    todo capital parece duplicar e &agrave;s vezes triplicar pelo modo diverso em    que o mesmo capital ou simplesmente o mesmo t&iacute;tulo de d&iacute;vida aparece,    em diferentes m&atilde;os, sob diversas formas. A maior parte desse capital    &eacute; puramente fict&iacute;cia&quot; (Marx, 1986, p. 14).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="n11"></a><a href="#1111">11</a>.    Os dados das tabelas s&atilde;o apenas ilustrativos devido &agrave; variedade    de fontes, formas de obten&ccedil;&atilde;o e de agrega&ccedil;&atilde;o. Por    isso n&atilde;o devem ser considerados de forma absoluta e nem devem ser agregados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="12"></a><a href="#1212">12</a>.    Austr&aacute;lia, Alemanha, Noruega, &Aacute;ustria, Gr&eacute;cia, Panam&aacute;,    B&eacute;lgica, Hong Kong, SAR, Portugal, Brasil, &Iacute;ndia, Singapura, Canad&aacute;,    Irlanda, Espanha, Chile, It&aacute;lia, Su&eacute;cia, Taipei, Jap&atilde;o,    Su&iacute;&ccedil;a, Dinamarca, Luxemburgo, Turquia, Finl&acirc;ndia, M&eacute;xico,    Reino Unido, Fran&ccedil;a, Holanda, Estados Unidos (BIS, 2012, p. A5).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="13"></a><a href="#1313">13</a>.    &quot;A maior parte do capital banc&aacute;rio &eacute;, portanto, puramente    fict&iacute;cia e consiste em t&iacute;tulos de d&iacute;vidas (letras de c&acirc;mbio),    t&iacute;tulos de d&iacute;vida p&uacute;blica (que representam capital passado)    e a&ccedil;&otilde;es (direitos sobre rendimento futuro). N&atilde;o se deve    esquecer que o valor monet&aacute;rio do capital que esses pap&eacute;is nas    caixas fortes do banqueiro representam -mesmo &agrave; medida que s&atilde;o    direitos sobre rendimentos seguros (como no caso dos t&iacute;tulos da d&iacute;vida    p&uacute;blica) ou &agrave; medida que s&atilde;o t&iacute;tulos de propriedade    de capital real (como no caso das a&ccedil;&otilde;es)- &eacute; completamente    fict&iacute;cio e que &eacute; regulado de modo a se desviar do valor do capital    real que, pelo menos parcialmente, representam; ou onde representam mero direito    a rendimento     <br>   e n&atilde;o capital, o direito ao mesmo rendimento se expressa num montante    sempre vari&aacute;vel de capital monet&aacute;rio fict&iacute;cio. Al&eacute;m    disso, esse capital fict&iacute;cio do banqueiro, em grande parte, n&atilde;o    representa seu pr&oacute;prio capital, mas o do p&uacute;blico, que o deposita    com ele, com ou sem juros&quot; (Marx, 1986, p. 13).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="14"></a><a href="#1414">14</a>.    Os dados da tabela foram obtidos pelo valor de mercado das empresas, em d&oacute;lares    correntes, no final do ano, nas respectivas bolsas de valores de cada um dos    113 pa&iacute;ses para os quais os dados est&atilde;o dispon&iacute;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="15"></a><a href="#1515">15</a>.    Desse total, US$ 11,3 trilh&otilde;es est&aacute; em poder do p&uacute;blico,    interno e externo, e US$ 4,8 trilh&otilde;es em poder do pr&oacute;prio governo    como a previd&ecirc;ncia social e o seguro sa&uacute;de medicare.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="16"></a><a href="#1616">16</a>.    H&aacute; uma longa lista que inclui as principais mercadorias transacionadas    no mercado internacional como os min&eacute;rios e metais, por exemplo, ferro    ou cobre, os produtos agropecu&aacute;rios como soja, caf&eacute; ou algod&atilde;o    e carnes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="17"></a><a href="#1717">17</a>.    O Tesouro dos Estados Unidos aplicou US$ 50 bilh&otilde;es de d&oacute;lares    em a&ccedil;&otilde;es para salvar a General Motors, segundo a informa&ccedil;&atilde;o    mais recente da Folha de S&atilde;o Paulo, perdeu US$ 11 bilh&otilde;es em cinco    anos (FSP, 2013).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="18"></a><a href="#1818">18</a>.    Essas medidas monet&aacute;rias devem estar provocando pesadelos nos economistas    ortodoxos e monetaristas que s&atilde;o partid&aacute;rios da Teoria Quantitativa    da Moeda. Segundo esta teoria, o n&iacute;vel geral de pre&ccedil;os &eacute;    determinado pela quantidade de moeda e a varia&ccedil;&atilde;o nos pre&ccedil;os    acompanha a varia&ccedil;&atilde;o na quantidade de moeda.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="19"></a><a href="#1919">19</a>.    Uma quest&atilde;o te&oacute;rica necess&aacute;ria para a fundamenta&ccedil;&atilde;o    desse processo &eacute; a da convers&atilde;o do d&oacute;lar convers&iacute;vel    em dinheiro mundial, no Acordo de Bretton Woods, e a sua continuidade, sem essa    conversibilidade, como moeda puramente de curso for&ccedil;ado, como dinheiro    fict&iacute;cio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="20"></a><a href="#2020">20</a>.    Naturalmente, existem in&uacute;meras media&ccedil;&otilde;es e essa rela&ccedil;&atilde;o    direta &eacute; apenas um artif&iacute;cio que utilizamos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="21"></a><a href="#2121">21</a>.    Esta &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o em que se encontra o Brasil, como vimos.    O mais grave &eacute; que os economistas ortodoxos do BCB est&atilde;o tentando    manter est&aacute;vel a taxa de c&acirc;mbio atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o    fict&iacute;cia de d&oacute;lar. Est&atilde;o oferecendo para venda dois bilh&otilde;es    de d&oacute;lares semanais em swap cambial e mais um bilh&atilde;o no mercado    &agrave; vista, com cl&aacute;usula de recompra, desde o final de agosto de    2013.</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    ]]></body>
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