<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0253-9276</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Universidad de La Habana]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[UH]]></abbrev-journal-title>
<issn>0253-9276</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Dirección de Publicaciones Académicas de la Universidad de La Habana (Editorial UH) ]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0253-92762016000200014</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Duas propostas oitocentistas de tradução literária para a praelocutio de Geórgicas III, de Virgílio]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Two Nineteenth Century Proposals of Literary Translation for the Praelocutio of Virgil Georgics III]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Trevizam]]></surname>
<given-names><![CDATA[Matheus]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Minas Gerais Faculdade de Letras, ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Belo Horizonte ]]></addr-line>
<country>MG/Brasil.</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<numero>282</numero>
<fpage>138</fpage>
<lpage>148</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0253-92762016000200014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0253-92762016000200014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0253-92762016000200014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Neste artigo, desejamos discutir os diferentes procedimentos empregados por Manuel Odorico Mendes (1799-1864) e pelo Visconde António Feliciano de Castilho (1800-1875) para traduzir poeticamente -em versos inclusive- as Geórgicas de Virgílio. Especificamente, a passagem escolhida para nossos comentários corresponde ao começo do prólogo do livro III (v. 1-48) desse poema, com especial atenção aos nove primeiros versos. Assim, apesar de terem buscado alternativas para tornar estas traduções em produtos literários poeticamente trabalhados, parece-nos que Odorico foi mais bem sucedido nessa tarefa, pois a experiência de lê-lo recria com mais "fidelidade" o que se passa quando tentamos acessar Virgílio em latim.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this paper we intend to discuss the different procedures used by Manuel Odorico Mendes (1799-1864) and by Viscount António Feliciano de Castilho (1800-1875) to translate the Georgics of Virgil into a poem, even making use of versification. Particularly, the excerpt that we have chosen for our remarks corresponds to the beginnings of the prologue to book III (v. 1-48) of this poem, with special attention to the nine first lines. Thus, despite both authors have sought for alternatives to turn these translations into literary products poetically treated, it seems that Odorico was more successful in this task, since the experience of reading his work recreates more accurately the ambiance found when we access Virgil in Latin.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[recriação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[tradução de poesia]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[recreation]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[poetry translation]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <b><font size="4">ART&Iacute;CULO ORIGINAL    <br>   </font></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><font size="4">Duas    propostas oitocentistas de tradu&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria para a praelocutio    de Ge&oacute;rgicas III, de Virg&iacute;lio</font>    <br>   </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><font size="3">Two    Nineteenth Century Proposals of Literary Translation for the Praelocutio of    Virgil Georgics III</font>    <br>   </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Matheus Trevizam</b>    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Faculdade de Letras,    Universidade Federal de Minas Gerais -Belo Horizonte-MG/Brasil.    <br>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b>    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste artigo, desejamos    discutir os diferentes procedimentos empregados por Manuel Odorico Mendes (1799-1864)    e pelo Visconde Ant&oacute;nio Feliciano de Castilho (1800-1875) para traduzir    poeticamente -em versos inclusive- as Ge&oacute;rgicas de Virg&iacute;lio. Especificamente,    a passagem escolhida para nossos coment&aacute;rios corresponde ao come&ccedil;o    do pr&oacute;logo do livro III (v. 1-48) desse poema, com especial aten&ccedil;&atilde;o    aos nove primeiros versos. Assim, apesar de terem buscado alternativas para    tornar estas tradu&ccedil;&otilde;es em produtos liter&aacute;rios poeticamente    trabalhados, parece-nos que Odorico foi mais bem sucedido nessa tarefa, pois    a experi&ecirc;ncia de l&ecirc;-lo recria com mais &quot;fidelidade&quot; o    que se passa quando tentamos acessar Virg&iacute;lio em latim.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>PALAVRAS-CHAVE:</b>    recria&ccedil;&atilde;o, tradu&ccedil;&atilde;o de poesia.    <br>   </font></p> <hr>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b>    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">In this paper we    intend to discuss the different procedures used by Manuel Odorico Mendes (1799-1864)    and by Viscount Ant&oacute;nio Feliciano de Castilho (1800-1875) to translate    the Georgics of Virgil into a poem, even making use of versification. Particularly,    the excerpt that we have chosen for our remarks corresponds to the beginnings    of the prologue to book III (v. 1-48) of this poem, with special attention to    the nine first lines. Thus, despite both authors have sought for alternatives    to turn these translations into literary products poetically treated, it seems    that Odorico was more successful in this task, since the experience of reading    his work recreates more accurately the ambiance found when we access Virgil    in Latin.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>KEYWORDS:</b>    recreation, poetry translation.    <br>   </font></p> <hr>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o:    partes e caracter&iacute;sticas do pr&oacute;logo de Ge&oacute;rgicas III, de    Virg&iacute;lio</b>    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste artigo, intentamos    cotejar os diferentes procedimentos tradut&oacute;rios adotados por Manuel Odorico    Mendes (1799-1864)(<a name="11"></a><a href="#1">1</a>) e pelo Visconde Ant&oacute;nio    Feliciano de Castilho (1800-1875)(<a name="22"></a><a href="#2">2</a>) para    traduzirem literariamente as Ge&oacute;rgicas de Virg&iacute;lio. Al&eacute;m    disso, desejamos refletir brevemente sobre a quest&atilde;o da &quot;tradu&ccedil;&atilde;o    liter&aacute;ria&quot;, nos termos de Henriques Britto (2012, pp. 119-153),    em rela&ccedil;&atilde;o a seus modos tradut&oacute;rios. Em espec&iacute;fico,    o trecho escolhido para as an&aacute;lises, pensando no original que tomamos    para refer&ecirc;ncia, corresponde ao come&ccedil;o do pr&oacute;logo do livro    III do &quot;poema da terra&quot; desse autor romano (v. 1-48), em que ele,    em certo sentido, delineia o &acirc;mbito tem&aacute;tico da parte das Ge&oacute;rgicas    que se inicia, faz a preteri&ccedil;&atilde;o -ou, ao menos, o &quot;adiamento&quot;-    de outros assuntos, cujo escopo foge ao universo estrito da pecu&aacute;ria,    e, de novo,(<a name="33"></a><a href="#3">3</a>) refor&ccedil;a seus compromissos    com o patronato de Otaviano Augusto e, sobretudo, de Caio Mecenas.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa maneira,    podemos dizer que o referido pr&oacute;logo abrange tr&ecirc;s subdivis&otilde;es    essenciais, correspondentes aos trechos respectivamente compreendidos entre    v. 1-9, v. 10-39 e v. 40-48. No primeiro deles, com efeito, Virg&iacute;lio    (e, por conseguinte, seus tradutores lus&oacute;fonos do s&eacute;culo XIX)    cuida de rejeitar certos t&oacute;picos como temas po&eacute;ticos muito gastos/pouco    adaptados ao contexto de um poema did&aacute;tico de assunto r&uacute;stico,    ou, sobretudo, atinente &agrave;s cria&ccedil;&otilde;es de animais dom&eacute;sticos,    se nos focalizamos apenas no livro III das Ge&oacute;rgicas. Tais temas seriam,    por exemplo, o &quot;duro Euristeu&quot; (Eurysthea durum - v. 4),(<a name="44"></a><a href="#4">4</a>)    os &quot;altares de Bus&iacute;ris abomin&aacute;vel&quot; (inlaudati... Busiridis    aras -v. 5) e o &quot;jovem Hylas&quot; (Hylas puer -v. 6), os quais, al&eacute;m    de trabalhados &agrave; exaust&atilde;o por outros autores, n&atilde;o se quadram    t&atilde;o bem ao contexto em jogo quanto &quot;Pales&quot; (Pales -v. 1) e    o &quot;memor&aacute;vel pastor do Anfriso&quot; (memorande.../ pastor ab Amphryso    -v. 1-2); a t&iacute;tulo de um sum&aacute;rio esclarecimento, Pales era uma    antiga deusa it&aacute;lica associada &agrave; prote&ccedil;&atilde;o dos rebanhos,    enquanto a denomina&ccedil;&atilde;o &quot;pastor do Anfriso&quot; evoca as    aventuras de Apolo como boieiro do rei Admeto de Feras, na Tess&aacute;lia.        <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na sequ&ecirc;ncia,    entre v. 10-39, Virg&iacute;lio d&aacute; curso a uma alegoria com ra&iacute;zes    na arte de P&iacute;ndaro, como informam L. P. Wilkinson (2008, p. 182 et seq.)    (Ol. VI, 1-5) e outros cr&iacute;ticos. Ela se identifica, basicamente, com    apresentar o processo de feitura po&eacute;tica sob a imagem da constru&ccedil;&atilde;o    de um edif&iacute;cio/templo: assim, sempre se mascaram coment&aacute;rios de    ordem metapo&eacute;tica sob a forma da apresenta&ccedil;&atilde;o de um objeto    &quot;arquitet&ocirc;nico&quot;. No trecho virgiliano citado, tal objeto seria    um templo marm&oacute;reo que o poeta &quot;planeja&quot; construir &agrave;s    margens     <br>   do M&iacute;ncio, rio de sua M&acirc;ntua natal.     <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Depois, ent&atilde;o,    de enfatizar seus desejos de empreender algo &quot;novo&quot; e que o fa&ccedil;a    ganhar renome entre os homens (v. 10-15), Virg&iacute;lio adentra a abordagem    efetiva de aspectos atinentes ao templo: ele conter&aacute;, a saber, &quot;C&eacute;sar&quot;    (Otaviano Augusto) ao meio (Caesar -v. 16), receber&aacute; cortejos sacrificiais    (v. 22-23), ter&aacute; &quot;brit&acirc;nicos tecidos&quot; (intexti... Britanni    -v. 25) no pano de boca de seu espa&ccedil;o c&ecirc;nico e uma porta de marfim    e ouro onde se esculpir&atilde;o motivos b&eacute;licos, inclusive o &quot;Nilo    agitado com a guerra e correndo volumoso&quot; (undantem bello magnumque fluentem/    Nilum -v. 28-29), as &quot;cidades dominadas da &Aacute;sia&quot; (urbes Asiae    domitas -v. 30) e os &quot;dois trof&eacute;us tomados, pelas tropas, de apartados    inimigos, com os povos de ambos os mares, duas vezes derrotados&quot; (duo rapta    manu diuerso ex hoste tropaea/ bisque triumphatas utroque ab litore gentis -v.    32-33). Quanto &agrave; rica estatu&aacute;ria desse mesmo espa&ccedil;o, podemos    citar o &quot; pai Tros&quot; (Trosque parens -v. 36) e o &quot;fundador C&iacute;ntio    de Troia&quot; (Troiae Cynthius auctor -v. 36), personagens sempre alusivas,    em um santu&aacute;rio de homenagem ao pr&oacute;prio Otaviano, &agrave;s lend&aacute;rias    ra&iacute;zes dard&acirc;nias de Roma e da pr&oacute;pria linhagem do l&iacute;der.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enfim, entre v.    40-48, deixando para o futuro tais projetos de feitura do &quot;templo&quot;,    Virg&iacute;lio ainda se focaliza no momento atual de sua carreira po&eacute;tica,    pois diz pretender seguir &quot;&agrave;s matas e &agrave;s clareiras intocadas    das Dr&iacute;ades&quot; (Dryadum siluas saltusque.../ intactos - v. 40) e que    o &quot;Citero, os c&atilde;es taigetos e Epidauro domadora de cavalos o chamam    com enorme clamor&quot; (uocat ingenti clamore Cithaeron/ Taugetique canes domitrixque    Epidaurus equorum -v. 43-44). Ora, tais matas e clareiras nos remetem a uma    zona natural de desenvolvimento da atividade econ&ocirc;mica do pastoreio; por    outro lado, o Citero era um monte da Be&oacute;cia associ&aacute;vel a animais    e ca&ccedil;adas, os c&atilde;es taigetos -ou da Lac&ocirc;nia- eram reputados    de qualidade no mundo antigo, e a cidade grega de Epidauro tinha fama por seus    plant&eacute;is de equinos. Ainda, em v. 41, o poeta explica que ater-se por    ora, antes de se lan&ccedil;ar &agrave; empresa &eacute;pica da feitura de um    outro texto em honra de Otaviano Augusto, ao plano expressivo mais humilde dos    rebanhos e cria&ccedil;&otilde;es, como as de cavalos e bovinos, corresponde,    de algum modo, ao cumprimento de uma &quot;ordem&quot; de Mecenas (tua, Maecenas,    haud mollia iussa -&quot;tuas ordens n&atilde;o f&aacute;ceis, &oacute; Mecenas&quot;),    como se a composi&ccedil;&atilde;o das Ge&oacute;rgicas tivesse, no m&iacute;nimo,    sido &quot;sugerida&quot; a si por esse agente cultural de Augusto.     <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No conjunto se    trata esse pr&oacute;logo, esclarecemos, do mais complexo e longo artefato do    tipo encontrado ao longo das quatro Ge&oacute;rgicas, como se depreende n&atilde;o    s&oacute; por seu desdobramento em v&aacute;rias partes, por sua dimens&atilde;o    erudita e, em parte, aleg&oacute;rica, mas ainda pelo fato concreto de que o    pr&oacute;logo do livro I apresenta quarenta e dois versos; o do livro II, oito    versos; o do livro IV, enfim, apenas sete versos.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ideia de &quot;tradu&ccedil;&atilde;o    liter&aacute;ria&quot; em Paulo Henriques Britto e seus desdobramentos sob o    modo das especificidades da &quot;tradu&ccedil;&atilde;o de poesia&quot;    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em A tradu&ccedil;&atilde;o    liter&aacute;ria (2012), o tradutor e te&oacute;rico brasileiro Paulo Henriques    Britto estabelece alguns crit&eacute;rios que considera aplic&aacute;veis a    uma boa tradu&ccedil;&atilde;o de obra liter&aacute;ria de uma l&iacute;ngua    natural para outra. Atendo-se sobretudo, de acordo com sua &aacute;rea de forma&ccedil;&atilde;o    e interesse, a exemplos condizentes com o corpus das literaturas em ingl&ecirc;s,    ele observa, assim, que n&atilde;o basta, para bem traduzir &quot;uma narrativa    ficcional de [Henry] James&quot;, a reprodu&ccedil;&atilde;o do mesmo enredo    do original, recriando as mesmas personagens com seus tra&ccedil;os pessoais    e as perip&eacute;cias por que passam (Henriques Britto, 2012, p. 120). Em vez    disso, mais do que apenas atentar para o lado referencial da escrita desse romancista    norte-americano, seria necess&aacute;rio a um tradutor mais capaz de realizar    sua tarefa ainda saber, no caso da &quot;transposi&ccedil;&atilde;o&quot; para    nosso idioma, &quot;reproduzir em portugu&ecirc;s a mesma sintaxe complexa,    com per&iacute;odos longos, tortuosos, cheios de estruturas subordinadas&quot;    (Henriques Britto, 2012, p. 120).    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em outras palavras,    a no&ccedil;&atilde;o de &quot;tradu&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria&quot;    est&aacute; vinculada, nesse te&oacute;rico, tamb&eacute;m a quest&otilde;es    formais, como se dois modos distintos de dizer a &quot;mesma&quot; coisa nem    sempre resultassem em produtos tradut&oacute;rios t&atilde;o equivalentes, e,    quando falamos em Literatura, forma e referentes se unissem em um todo indissoci&aacute;vel    e imprescind&iacute;vel para a produ&ccedil;&atilde;o dos sentidos, tal como    um dia criados por um escritor.(<a name="55"></a><a href="#5">5</a>) Tamb&eacute;m    importa dizer, direcionando-nos para o foco principal de nossas aten&ccedil;&otilde;es    neste artigo, que Henriques Britto entende a (boa) &quot;tradu&ccedil;&atilde;o    de poesia&quot; como algo ainda mais exigente no tocante &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o    aproximada, na l&iacute;ngua-meta, dos recursos formais em uso na l&iacute;ngua    de partida, como se, de acordo com o exemplo j&aacute; citado, uma tradu&ccedil;&atilde;o    de um romance de James alheia aos tra&ccedil;os de forma do original continuasse    a ser um (mau) romance, mas uma tradu&ccedil;&atilde;o de um poema feita segundo    par&acirc;metros semelhantes -sem atentar para os ritmos, as imagens, as sonoridades,    a coer&ecirc;ncia do registro, etc.- sequer pudesse ser um poema (Henriques    Britto, 2012, p. 120).(<a name="66"></a><a href="#6">6</a>)    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso,    atacando as ideias da &quot;intraduzibilidade&quot; da poesia, da natureza absolutamente    diferenciada do poeta diante do banal dos seres humanos e at&eacute; da inviabilidade    de avaliar o que seria um bom produto po&eacute;tico-tradut&oacute;rio, Henriques    Britto prossegue sobretudo em coment&aacute;rios de que, por corresponder apenas    a um artista que maneja bem as palavras -escolhendo-as com cuidado para produzir    certos efeitos-, o poeta pode, sim, ser imitado por um tradutor criterioso e,    ao mesmo tempo, sens&iacute;vel e h&aacute;bil na t&eacute;cnica e no manejo    do pr&oacute;prio idioma (Henriques Britto, 2012, pp. 121-127).    <br>   Na sequ&ecirc;ncia de sua obra, o mesmo cr&iacute;tico retoma ideias que desenvolvera    antes em um artigo (&quot;Fidelidade em tradu&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica:    o caso Donne&quot;), com a inten&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica de explicar    por qual motivo entende ter sido certo poema ingl&ecirc;s -&quot;Elegie XIX:    going to bed&quot;- traduzido com mais sucesso por Augusto de Campos que por    Paulo Vizioli. Ent&atilde;o, os dois tradutores se serviram de formas metrificadas    em portugu&ecirc;s -em aten&ccedil;&atilde;o a um aspecto do original, que se    escrevera em decass&iacute;labos-, recorrendo, respectivamente, a versos de    dez e doze s&iacute;labas.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, e apesar    de limitado pelo menor espa&ccedil;o da forma m&eacute;trica eleita, Augusto    de Campos teria conseguido, simultaneamente, rimar e conservar os sentidos b&aacute;sicos    do original que traduziu, enquanto Vizioli, confrontado com id&ecirc;ntico desafio    tradut&oacute;rio, teria optado, depois da &quot;transposi&ccedil;&atilde;o&quot;    dos conte&uacute;dos para o portugu&ecirc;s, por rimar com o acr&eacute;scimo    ao fim de palavras/express&otilde;es que n&atilde;o constavam, em absoluto,    do texto de Donne. Assim acabou, na vis&atilde;o de Henriques Britto (2012,    p. 127), at&eacute; por juntar certas ideias inexistentes no original, como    se, por exemplo, o eu-l&iacute;rico estivesse ansioso para deitar-se em uma    cama com a mulher a quem fala e, ainda, irritado com ela, por demorar-se em    demasia:    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">To teach thee,    I am naked first; why than    <br>   What needst thou have more covering then a man.     <br>   (original) </font> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para ensinar-te    eu me desnudo antes:    <br>   A coberta de um homem te &eacute; bastante.    <br>   (tradu&ccedil;&atilde;o de Augusto de Campos)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Que esperas? Estou    nu... e as horas se consomem.    <br>   Mais cobertura tu desejas do que um homem?    <br>   (tradu&ccedil;&atilde;o de Paulo Vizioli)    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como vemos pelos    dois versos de Donne transcritos e por suas respectivas tradu&ccedil;&otilde;es,    &quot;e as horas se consomem&quot; e &quot;que esperas?&quot; s&atilde;o deliberados    acr&eacute;scimos de Vizioli, os quais d&atilde;o o tom de um apressado mau    humor ao que originalmente era um convite apenas picante &agrave; mulher, feito    pela pr&oacute;pria nudez do homem sobre o leito. Ora, tal prolixidade e a aus&ecirc;ncia    do &quot;tom&quot; de galhofa n&atilde;o se encontram na tradu&ccedil;&atilde;o    de Campos nem se encontravam em Donne, fazendo Henriques Britto, como dissemos,    conceder-lhe a palma da vit&oacute;ria por este esfor&ccedil;o tradut&oacute;rio    partilhado. Por sinal, explica o cr&iacute;tico brasileiro, a perda de algumas    palavras n&atilde;o basta para desviar esse &uacute;ltimo da ess&ecirc;ncia    dos sentidos do poema ingl&ecirc;s em jogo, vindo a ser a &quot;experi&ecirc;ncia    est&eacute;tica de l&ecirc;-lo mais pr&oacute;xima &agrave; leitura do original    de Donne do que a leitura da tradu&ccedil;&atilde;o de Vizioli&quot; (Henriques    Britto, 2012, pp. 129).    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Coment&aacute;rio    textual sobre os procedimentos tradut&oacute;rios de Manuel Odorico Mendes e    Ant&oacute;nio Feliciano de Castilho, sobretudo ao recriarem em portugu&ecirc;s    o in&iacute;cio do pr&oacute;logo de Ge&oacute;rgicas III     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Passando, agora, a efetivos coment&aacute;rios n&atilde;o sobre o original virgiliano,    mas sobre o que foi feito dele nas m&atilde;os de Odorico Mendes e Castilho,    de in&iacute;cio observamos o car&aacute;ter bem mais conciso do empreendimento    tradut&oacute;rio do primeiro: assim, Virg&iacute;lio compusera o pr&oacute;logo    de Ge&oacute;rgicas III ao longo da extens&atilde;o de quarenta e oito versos,    com a recorr&ecirc;ncia a trezentas e oito palavras. Em cobertura &agrave; mesma    passagem, Odorico tamb&eacute;m &quot;necessitou&quot; de quarenta e oito versos,    tendo-se servido, todavia, de trezentas e vinte e cinco palavras, ou seja, de    apenas dezessete a mais que seu &quot;modelo&quot; cl&aacute;ssico.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por sua vez, Castilho    recorreu a setenta e seis versos -vinte e oito a mais do que os outros dois    escritores a que aqui fazemos men&ccedil;&atilde;o-, totalizando sua vers&atilde;o    do pr&oacute;logo a quantia de quinhentas e sessenta palavras, ou seja, duzentos    e cinquenta e dois termos al&eacute;m daqueles encontrados em Virg&iacute;lio.    Tamb&eacute;m contribui para a justa ideia, diante do empreendimento tradut&oacute;rio    do portugu&ecirc;s, de uma vers&atilde;o um tanto mais &quot;espraiada&quot;,    quando o cotejamos com Odorico, o fato de ter ele recorrido, para compor, aos    versos alexandrinos -de doze s&iacute;labas po&eacute;ticas, ent&atilde;o- (Said    Ali, 2006, p. 107), enquanto o tradutor brasileiro o fez por meio de decass&iacute;labos.        <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido,    ainda causa algum espanto a conhecida concis&atilde;o odoricana, pois, pensando    no latim e no portugu&ecirc;s moderno, falamos, na verdade, em idiomas de natureza    bastante distinta. Aludimos de passagem, com esta observa&ccedil;&atilde;o,    &agrave; natureza de l&iacute;ngua sint&eacute;tica do latim, em que a pr&oacute;pria    exist&ecirc;ncia do mecanismo casual para os substantivos, adjetivos e pronomes    -bem como, inclusive, o comum emprego de formas morfologicamente concisas para    os verbos na voz passiva do infectum- contribui para minimizar sensivelmente    o uso de palavras do tipo das preposi&ccedil;&otilde;es e verbos auxiliares    no idioma do L&aacute;cio; esse &uacute;ltimo tamb&eacute;m n&atilde;o disp&otilde;e    dos artigos, como sabem seus cultores. Em contrapartida, o portugu&ecirc;s e    outras l&iacute;nguas modernas, mesmo as demais neolatinas, como o franc&ecirc;s,    encaixam-se melhor no grupo dos idiomas anal&iacute;ticos, os quais n&atilde;o    primam, exatamente, pela concis&atilde;o expressiva.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O tradutor brasileiro    a que nos referimos, por&eacute;m, afamado por ter traduzido em versos toda    a obra de Virg&iacute;lio e a de Homero, desde o empreendimento representado    pela Eneida brazileira (1847) caracterizou-se por n&atilde;o fazer concess&otilde;es    &agrave; prolixidade: assim, um dado bem significativo a esse respeito &eacute;    que o canto IX desse original latino continha oitocentos e dezoito versos, traduzidos    com oitocentos por Odorico; o canto X do mesmo original, novecentos e oito versos,    traduzidos com oitocentos e noventa e quatro por Odorico; o canto XI do mesmo    original, novecentos e quinze versos, traduzidos com oitocentos e oitenta e    seis por Odorico; o canto XII do mesmo original, novecentos e cinquenta e dois    versos, traduzidos com novecentos e vinte e seis por Odorico. Ou seja, todos        <br>   os quatro livros citados da Eneida Brazileira odoricana chegam a conter at&eacute;    menos versos que seus correspondentes exatos na &eacute;pica de Virg&iacute;lio!    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com vistas a um    olhar mais pr&oacute;ximo para o trabalho tradut&oacute;rio de Castilho e Odorico,    no entanto, propomo-nos aqui ao coment&aacute;rio dos nove primeiros versos    do pr&oacute;logo que temos citado. Assim, nele dizia Virg&iacute;lio, literalmente:    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Te quoque, magna    Pales, et te memorande, canemus,     <br>   pastor ab Amphryso; uos, siluae amnesque Lycaei.     <br>   Cetera, quae uacuas tenuissent carmine mentes,     <br>   omnia iam uolgata: quis aut Eurysthea durum     <br>   aut inlaudati nescit Busiridis aras?     <br>   Quoi non dictus Hylas puer et Latonia Delos     <br>   Hippodameque umeroque Pelops insignis eburno,    <br>   acer equis? Temptanda uia est, qua me quoque possim    <br>   tollere humo uictorque uirum uolitare per ora.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ti tamb&eacute;m,    &oacute; grande Pales, e a ti, &oacute; memor&aacute;vel pastor     <br>   do Anfriso, cantaremos, e a v&oacute;s, &oacute; matas e rios do Liceu.     <br>   Todo o resto, que tivesse seduzido mentes vazias com     <br>   um poema, j&aacute; foi vulgarizado: quem n&atilde;o conhece o duro     <br>   Euristeu ou os altares de Bus&iacute;ris abomin&aacute;vel?     <br>   Por quem n&atilde;o foi celebrado o jovem Hilas, Delos     <br>   de Latona, Hipod&acirc;mia e P&eacute;lope, not&aacute;vel pelo ombro de marfim,        <br>   fogoso com os cavalos? &Eacute; preciso buscar um caminho por onde eu possa,    <br>   a mim tamb&eacute;m, erguer do ch&atilde;o e voejar vencedor pela boca dos homens.    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Odorico traduz    os dois primeiros versos sob a forma de uma &quot;enumera&ccedil;&atilde;o invertida&quot;,    em que n&atilde;o faltam os v&aacute;rios itens do canto prometido por Virg&iacute;lio,    mas a refer&ecirc;ncia culta a Apolo se faz primeiro e o longo gerundivo latino    de v. 1 -memorande- ressurge sob a forma do conciso &quot;digno&quot;.(<a name="77"></a><a href="#7">7</a>)    Em Castilho, destaca-se a profus&atilde;o de vocativos, a livre transforma&ccedil;&atilde;o    de memorande no ainda mais longo &quot;egr&eacute;gias divindades&quot; e o    acr&eacute;scimo de v&aacute;rias nuan&ccedil;as quando se verte o mero siluae    (&quot;matas&quot; -v. 2) de Virg&iacute;lio por &quot;frondosas soledades&quot;.(<a name="88"></a><a href="#8">8</a>)    Al&eacute;m disso, como se nota pelo emprego do par &quot;divindades&quot;/    &quot;soledades&quot;, esse tradutor j&aacute; se vale, aqui, do recurso r&iacute;tmico    mais evidente de sua proposta tradut&oacute;ria, as rimas, sobretudo porque    tal expediente po&eacute;tico n&atilde;o era corrente no per&iacute;odo cl&aacute;ssico.(<a name="99"></a><a href="#9">9</a>)    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre v. 3-7, Odorico    inicia condensando a mensagem contida em v. 3 (e uma parte de v. 4) do original    em uma &uacute;nica linha, de modo mais &quot;econ&ocirc;mico&quot; que Virg&iacute;lio    e traduzindo-o antes segundo o esp&iacute;rito que &quot;&agrave; letra&quot;.(<a name="1010"></a><a href="#10">10</a>)    Entre v. 4-5, ao iniciar a enumera&ccedil;&atilde;o dos temas preteridos nas    Ge&oacute;rgicas, o tradutor brasileiro se mant&eacute;m bastante pr&oacute;ximo    do original, com o emprego, como em Virg&iacute;lio, de um &uacute;nico qualificativo    para cada uma das duas primeiras personagens mencionadas. Contudo, no mesmo    verso 5, j&aacute; se introduz a personagem de Hilas, algo cujo surgimento apenas    ocorre, no original romano, em v. 6;(<a name="1111"></a><a href="#n11">11</a>)    tamb&eacute;m se deve notar que nada h&aacute;, em Odorico, de semelhante ao    termo puer de v. 6, o qual acompanhava o nome de Hila(s) em latim.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre v. 6-7, o    mesmo tradutor mant&eacute;m o rol dos assuntos mencionados no modelo e evoca    &quot;Lat&ocirc;nia Delos&quot;, &quot;Hipodame&quot; e &quot;P&eacute;lops&quot;,    contudo restringindo-os apenas at&eacute; v. 7, sem adentrar v. 8 com o derradeiro    atributo de P&eacute;lope, como em Virg&iacute;lio (acer equis -&quot;fogoso    com os cavalos&quot;-, v. 8).(<a name="1212"></a><a href="#12">12</a>) Ora,    note-se que, quanto &agrave; primeira dessas evoca&ccedil;&otilde;es, ela corresponde    a uma retomada &quot;exata&quot; at&eacute; da escolha lexical/pros&oacute;dica    do original latino -Latonia Delos-, em manuten&ccedil;&atilde;o de um procedimento    que j&aacute; v&iacute;ramos em v. 1 desta sua tradu&ccedil;&atilde;o, quando    Odorico tamb&eacute;m dissera &quot;Magna Pales&quot;. Trata-se, aqui, de prov&aacute;vel    tentativa comum de latinizar o portugu&ecirc;s (Vasconcellos, 2001, p. 174),    o que esse tradutor obt&eacute;m, portanto, n&atilde;o s&oacute; atrav&eacute;s    da conten&ccedil;&atilde;o sint&aacute;tica e     <br>   vocabular...    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por sua vez, Castilho    resolveu em termos tradut&oacute;rios o mesmo intervalo de v. 3-7 em Virg&iacute;lio    escrevendo sete versos: entre a metade do terceiro e o quarto, assim, ele ressalta    que o &quot;povo&quot; j&aacute; se cansou de tantos assuntos a serem preteridos    nesta parte das Ge&oacute;rgicas;(<a name="1313"></a><a href="#13">13</a>) nesse    ponto, notamos que o tradutor portugu&ecirc;s mant&eacute;m do original, a seu    modo, n&atilde;o s&oacute; a parti&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do entre    dois versos, mas ainda certo efeito de enjambement. Depois, entre v. 5-6 o tradutor    luso trata de Euristeu e Bus&iacute;ris com sentidos semelhantes aos de Virg&iacute;lio,    mas dedicando, com maior espraiamento, um verso inteiro para cada personagem;(<a name="1414"></a><a href="#14">14</a>)    A partir de v. 7, em que lhe falta mencionar &quot;Hilas&quot;, &quot;Delos    a Lat&ocirc;nia&quot;, &quot;Hipodame&quot; e &quot;P&eacute;lope&quot;, Castilho    necessitou de tr&ecirc;s versos, parte de um quarto e alguns desdobramentos    explicativos para vazar os &quot;mesmos&quot; significados contidos, em Virg&iacute;lio,    entre v. 6-7 (e um pequeno trecho de 8).(<a name="1515"></a><a href="#15">15</a>)    Veja-se, com efeito, que a mera express&atilde;o virgiliana quoi non dictus    (v. 7) desdobra-se em um verso inteiro de Castilho -&quot;deixou poeta algum    de al&ccedil;ar na lira a&ocirc;nia&quot;-, inclusive com o acr&eacute;scimo    do detalhe sup&eacute;rfluo da &quot;lira a&ocirc;nia&quot;.    <br>   O que est&aacute; contido entre v. 8-9 do original latino assim se desdobra    nos tradutores brasileiro e portugu&ecirc;s, respectivamente:    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tente eu via por    onde alar-me possa,    <br>   de boca em boca vencedor voando.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sigamos outro norte;        <br>   tente-se nova estrada, em que eu tamb&eacute;m consiga    <br>   da baixa terra alar-me, e em pr&ecirc;mio da fadiga    <br>   ir-me de boca em boca a volitar no mundo    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Castilho acrescenta    alguns dados, como a pr&oacute;pria ideia de seguir &quot;outro norte&quot;,    elimina outros -veja-se que n&atilde;o h&aacute; equivalente exato do latim    uictor (&quot;vencedor&quot;, v. 9) em sua tradu&ccedil;&atilde;o-, e, no todo,    n&atilde;o iguala a po&eacute;tica da concis&atilde;o que caracteriza a vers&atilde;o    odoricana das Ge&oacute;rgicas. Com isso, distancia-se sensivelmente do car&aacute;ter    sint&eacute;tico do idioma de Roma Antiga e da pr&oacute;pria exatid&atilde;o    virgiliana, fazendo-se bem mais prolixo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Conclus&atilde;o    sucinta: balan&ccedil;o dos esfor&ccedil;os tradut&oacute;rios de Manuel Odorico    Mendes e Ant&oacute;nio Feliciano de Castilho, &agrave; luz da ideia de &quot;tradu&ccedil;&atilde;o    de poesia&quot;, segundo Paulo Henriques Britto</b>    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como observamos    antes, as coloca&ccedil;&otilde;es de Henriques Britto (2012) no tocante ao    que considera, a partir de suas reflex&otilde;es e pr&aacute;tica de tradutor,    serem os mais eficazes procedimentos tradut&oacute;rios de obras artisticamente    compostas em outros idiomas perpassam, sem sombra de d&uacute;vida, a import&acirc;ncia    que ele concede &agrave; conjun&ccedil;&atilde;o entre os resultados relativos    aos referentes do texto e a seus aspectos formais. Ou seja, para esse cr&iacute;tico,    de nada adiantaria negligenciar a tentativa de recriar algo da forma de certo    original traduzido de um idioma para outro, buscando apenas transpor os significados    mais abstratos de uma obra ao traduzir, uma vez que, como observou, no poema    &quot;a poeticidade do texto muitas vezes depende mais de aspectos formais do    que do sentido das palavras&quot; (Henriques Britto, 2012, pp. 122).    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ora, pelo que se    viu a respeito dos procedimentos tradut&oacute;rios de Odorico Mendes e Castilho    no item anterior deste artigo, notamos que um e outro buscaram, &agrave; sua    maneira, atentar para a face marcadamente po&eacute;tica das Ge&oacute;rgicas    de Virg&iacute;lio, por exemplo recorrendo a esquemas m&eacute;tricos bastante    consagrados em nosso idioma -versos decass&iacute;labos e alexandrinos, a saber-    com vistas a dotar os produtos liter&aacute;rios obtidos na l&iacute;ngua-meta    de ritmos regulares, como, em certo sentido, j&aacute; os havia nos hex&acirc;metros    virgilianos.(<a name="1616"></a><a href="#16">16</a>) Esses tradutores tamb&eacute;m    se ocuparam de dotar seus trabalhos, nos versos que analisamos mais detidamente    h&aacute; pouco, de outros elementos construtivos em nexo com a poeticidade,    recorrendo &agrave;s imagens m&iacute;ticas, aos ep&iacute;tetos e a jogos de    sons, os quais, num extremo, acabam chegando &agrave;s rimas em Castilho.     <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, a discutida    prolixidade desse &uacute;ltimo tradutor, a qual se reflete materialmente, quando    tomamos para refer&ecirc;ncia os nove versos do in&iacute;cio de Ge&oacute;rgicas    III, mesmo na necessidade do emprego de uma quantia de versos maior do que a    do original (treze), acaba por afast&aacute;-lo do que seria, de acordo com    os par&acirc;metros &quot;avaliativos&quot; de Henriques Britto, uma tradu&ccedil;&atilde;o    mais bem sucedida.(<a name="1717"></a><a href="#17">17</a>) Por sinal, semelhantemente    a Vizioli, na tradu&ccedil;&atilde;o de John Donne que mencionamos, esse tradutor    muitas vezes acrescenta express&otilde;es &quot;ausentes&quot; em Virg&iacute;lio,    com intentos n&atilde;o s&oacute; de preencher os longos versos alexandrinos    que elege para traduzir, mas ainda de obter, em particular, as rimas. &Eacute;    o que se d&aacute;, a prop&oacute;sito, com os dizeres &quot;[egr&eacute;gias]    divindades&quot; e &quot;soledades&quot; em v. 1 e v. 2, respectivamente, as    quais n&atilde;o conhecem correspondentes t&atilde;o precisos no trecho afim    de Virg&iacute;lio, mas se acrescentaram, &eacute; &oacute;bvio, para rimar.    De resto, embora esse &uacute;ltimo recurso corresponda ao mais aud&iacute;vel    expediente r&iacute;tmico da op&ccedil;&atilde;o tradut&oacute;ria de Castilho,    trata-se de algo desconhecido n&atilde;o s&oacute; de Virg&iacute;lio, mas de    toda a po&eacute;tica latina cl&aacute;ssica.(<a name="1818"></a><a href="#18">18</a>)    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por sua vez, Odorico,    que muitas vezes latiniza a express&atilde;o vern&aacute;cula (Vasconcellos,    2001, p. 174), bem como prefere n&atilde;o introduzir em seu produto tradut&oacute;rio    elementos que, definitivamente, n&atilde;o constavam do original, acaba produzindo    um texto na l&iacute;ngua-meta cujos efeitos, para o leitor, aproximam-se bem    mais, nos termos de Henriques Britto, da experi&ecirc;ncia de contato direto    com o pr&oacute;prio Virg&iacute;lio. Mesmo sob o ponto de vista visual, nota-se,    ter ele optado por servir-se de um n&uacute;mero de versos id&ecirc;ntico ao    de Virg&iacute;lio -nove em um e outro caso- contribui para corroborar o efeito    de continuidade art&iacute;stica a que temos aludido, em men&ccedil;&atilde;o    &agrave;s suas rela&ccedil;&otilde;es com o maior poeta de Roma Antiga.     <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ent&atilde;o, a    conhecida concis&atilde;o de seu estilo,(<a name="1919"></a><a href="#19">19</a>)    decerto capaz de lidar com o desafio de igualar quantitativamente os versos    virgilianos mesmo ao compor em uma l&iacute;ngua anal&iacute;tica como o portugu&ecirc;s    -e em um metro menos extenso que os hex&acirc;metros de Virg&iacute;lio-,(<a name="2020"></a><a href="#20">20</a>)    corresponde, talvez, ao maior feito art&iacute;stico que obteve, contribuindo    para oferecer ao p&uacute;blico lus&oacute;fono um vislumbre da exatid&atilde;o    expressiva do vate romano.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><font size="3">REFERENCIAS    BIBLIOGR&Aacute;FICAS</font></b>    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&quot;Ant&oacute;nio    Feliciano de Castilho&quot; (s. d.), Projecto Vercial, &lt;<a href="http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/castilho.htm" target="_blank">http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/castilho.htm</a>&gt;    [23-10-2015].    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">COELHO, FERNANDO    e THA&Iacute;S FERNANDES (2014): &quot;O modo de traduzir de Odorico Mendes:    observa&ccedil;&otilde;es acerca do canto I da &quot;Eneida brasileira&quot;&quot;,    Belas Infi&eacute;is, vol. 3, n.o 2, Bras&iacute;lia, pp. 63-75.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HENRIQUES BRITTO,    PAULO (2012): A tradu&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria, Civiliza&ccedil;&atilde;o    Brasileira, Rio de Janeiro.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MOIS&Eacute;S,    MASSAUD (2011): Dicion&aacute;rio de termos liter&aacute;rios, Cultrix, S&atilde;o    Paulo.    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">R&Oacute;NAI, PAULO    (2012): A tradu&ccedil;&atilde;o vivida, Jos&eacute; Olympio, Rio de Janeiro.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SAID ALI, MANUEL    (2006): Versifica&ccedil;&atilde;o portuguesa, Edusp, S&atilde;o Paulo.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">VASCONCELLOS, PAULO    S&Eacute;RGIO DE (2001): &quot;Contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; reaprecia&ccedil;&atilde;o    cr&iacute;tica da &quot;Eneida&quot; de Odorico Mendes&quot;, Phaos, vol. 1,    Campinas, pp. 171-186.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">VIRG&Iacute;LIO    (1858): Virg&iacute;lio brazileiro, trad. M. Odorico Mendes, W. Remquet et Cie.,    Paris.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">VIRG&Iacute;LIO    (1970): Eneida; Ge&oacute;rgicas, trad. M. Odorico Mendes e A. F. de Castilho,    W. M. Jackson, Rio de Janeiro/S&atilde;o Paulo/Porto Alegre.    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">WILKINSON, LANCELOT    PATRICK (2008): &quot;Pindar and the Proem to the Third &quot;Georgic&quot;&quot;,    in Katharina Volk (ed.), Oxford Readings in Classical Studies, Oxford University    Press, pp. 182-188.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">RECIBIDO: 14/1/2016    <br>   ACEPTADO: 28/4/2016</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Matheus Trevizam.    Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais -Belo Horizonte-MG/Brasil.    Correo electr&oacute;nico: <a href="mailto:matheustrevizam2000@yahoo.com.br">matheustrevizam2000@yahoo.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><font size="3">NOTAS    ACLARATORIAS</font></b>    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="1"></a><a href="#11">1</a>.    &quot;Nascido em S&atilde;o Luiz do Maranh&atilde;o em 1799, Manuel Odorico    Mendes foi poeta, jornalista, pol&iacute;tico e tradutor. Sua forma&ccedil;&atilde;o    intelectual se deu na Europa, mais precisamente em Coimbra, onde fez seus estudos    de grego e concluiu os cursos de Filosofia Racional e Moral e Filosofia Natural.    Morreu em 1864, quando estava em um trem a caminho de Londres. Embora tenha    tido uma carreira de prest&iacute;gio na pol&iacute;tica brasileira, chegando    a ser indicado para assumir o cargo de regente quando D. Pedro II era menor    de idade, talvez a faceta mais famosa de Odorico Mendes seja a de tradutor.    Nos &uacute;ltimos dez anos de sua vida, empenhou-se numa &aacute;rdua tarefa:    traduzir toda a obra de dois dos mais importantes autores cl&aacute;ssicos:    Homero e Virg&iacute;lio&quot; (Coelho e Fernandes, 2014, pp. 63-75).    <br>   <a name="2"></a><a href="#22">2</a>. &quot;Ant&oacute;nio Feliciano de Castilho    nasceu em Lisboa no dia 28 de Janeiro de 1800 e faleceu na mesma cidade no dia    18 de Junho de 1875. Aos seis anos, por motivo do sarampo, cegou. N&atilde;o    obstante isso, seguiu estudos regulares, gra&ccedil;as ao aux&iacute;lio de    seu irm&atilde;o Augusto Frederico. Em 1817, matriculou-se na Universidade e    em 1826 formou-se em C&acirc;nones. A seguir, fixou-se com o irm&atilde;o em    Castanheira do Vouga, perto de &Aacute;gueda, e a&iacute; se conservou uns oito    anos, em situa&ccedil;&atilde;o que muito favoreceu o estudo e a produ&ccedil;&atilde;o    liter&aacute;ria. Esteve na Madeira e nos A&ccedil;ores e visitou o Brasil.    Dedicou-se &agrave; tradu&ccedil;&atilde;o de obras em latim, franc&ecirc;s    e ingl&ecirc;s. &Eacute; um dos principais autores do Romantismo em Portugal&quot;    (&quot;Ant&oacute;nio Feliciano de Castilho&quot; -s. d.-).    <br>   <a name="3"></a><a href="#33">3</a>. O nome de Mecenas &eacute; citado como    o do dedicat&aacute;rio do poema j&aacute; no verso 2 do livro I das Ge&oacute;rgicas.        <br>   <a name="4"></a><a href="#44">4</a>. Lend&aacute;rio rei que impusera os &quot;Doze    trabalhos&quot; a H&eacute;rcules, sob instiga&ccedil;&atilde;o da deusa Juno.    <br>   <a name="5"></a><a href="#22">5</a>. Cf. tamb&eacute;m ju&iacute;zo de Paulo    R&oacute;nai sobre a tradu&ccedil;&atilde;o de certo trecho da Eneida -IV, 90-92-    de Virg&iacute;lio por Annibal Caro, tradutor italiano do s&eacute;culo xvi    (R&oacute;nai, 2012, p. 145). Nele, patenteia-se que esse cr&iacute;tico h&uacute;ngaro-brasileiro    tamb&eacute;m valorizou, na pr&aacute;tica tradut&oacute;ria, os feitos formais,    ao lado da depreens&atilde;o dos referentes do texto:     <br>   Essa vers&atilde;o italiana tamb&eacute;m famosa, de Annibal Caro, em verso    branco, conserva-se um pouco mais pr&oacute;xima do vigor dos versos latinos.    Um dos atributos de Juno e um dos sin&ocirc;nimos patol&oacute;gicos da palavra    amor escapam &agrave; modifica&ccedil;&atilde;o; mas o trecho torna-se pesado    com os seus tr&ecirc;s enjambements, a invers&atilde;o no quarto verso (com    a anteposi&ccedil;&atilde;o do objeto ao verbo) e a express&atilde;o 'n cotai    guisa, r&iacute;pio, dessas palavras evidentes que entram no verso para completar-lhe    a medida. O trecho lembra demais a pesada gravidade do teatro italiano de Alfieri    e de seus contempor&acirc;neos.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="6"></a><a href="#66">6</a>. &quot;A principal diferen&ccedil;a entre    poesia e prosa reside no fato de que na prosa o aspecto sem&acirc;ntico tende    a predominar -embora os outros componentes da linguagem sejam tamb&eacute;m    important&iacute;ssimos na determina&ccedil;&atilde;o do que entendemos como    &quot;estilo&quot; do autor- enquanto no poema, como j&aacute; observei, todos    os aspectos s&atilde;o potencialmente de igual import&acirc;ncia, e a poeticidade    do texto muitas vezes depende mais de aspectos formais do que do sentido das    palavras&quot; (Henriques Britto, 2012, p. 122).    <br>   <a name="7"></a><a href="#77">7</a>. &quot;Digno pastor de Anfriso, magna Pales,/    Rios, bosques Liceus, lembrar-vos cumpre&quot; (Manuel Odorico Mendes, in Virg&iacute;lio    -1858- Ge&oacute;rgicas III, 1-2).    <br>   <a name="8"></a><a href="#88">8</a>. &quot;Pales! Pastor do Anfriso! Egr&eacute;gias    divindades!/ Ribeiras do Liceu! Frondosas soledades!/ Cantar-vos-ei tamb&eacute;m&quot;    (Ant&oacute;nio Feliciano de Castilho, in Virg&iacute;lio -1970- Ge&oacute;rgicas    III, 1-3).     <br>   <a name="9"></a><a href="#99">9</a>. &quot;Em todas essas manifesta&ccedil;&otilde;es    &eacute; l&iacute;cito divisar o embri&atilde;o da rima: a sua g&ecirc;nese    estaria nos hinos crist&atilde;os dos primeiros s&eacute;culos&quot; (Mois&eacute;s,    2011, p. 385).    <br>   <a name="10"></a><a href="#1010">10</a>. &quot;Longe vulgado assunto e v&atilde;os    deleites&quot; (Manuel Odorico Mendes, in Virg&iacute;lio -1858- Ge&oacute;rgicas    III, 3).    <br>   <a name="n11"></a><a href="#1111">11</a>. &quot;Quem de Euristeu cruel n&atilde;o    sabe, ou de aras/ de Bus&iacute;ris infame? Ou de Hila o caso&quot; (Manuel    Odorico Mendes, in Virg&iacute;lio -1858- Ge&oacute;rgicas III, 4-5).    <br>   <a name="12"></a><a href="#1212">12</a>. &quot;Lat&ocirc;nia Delos, Hipodame,    ou P&eacute;lops/ de eb&uacute;rnea esp&aacute;dua e picador insigne?&quot;    (Manuel Odorico Mendes, in Virg&iacute;lio -1858- Ge&oacute;rgicas III, 6-7).    <br>   <a name="13"></a><a href="#1313">13</a>. &quot;Doutro qualquer assunto,/ s&oacute;    para ociosos bom, cansou-se o povo h&aacute; muito&quot; (Ant&oacute;nio Feliciano    de Castilho, in Virg&iacute;lio -1970- Ge&oacute;rgicas III, 3-4).     <br>   <a name="14"></a><a href="#1414">14</a>. &quot;Quem h&aacute; que de Euristeu    ignore as iras cruas?/ Quem, Bus&iacute;ris nefando, as &iacute;mpias aras tuas?&quot;    (Ant&oacute;nio Feliciano de Castilho, in Virg&iacute;lio -1970- Ge&oacute;rgicas    III, 5-6).    <br>   <a name="15"></a><a href="#1515">15</a>. &quot;Deixou poeta algum de al&ccedil;ar    na lira a&ocirc;nia/ Hilas, o mancebinho? E Delos a Lat&ocirc;nia?/ E Hipodame?    E o gentil da eb&uacute;rnea esp&aacute;dua, o forte/ P&eacute;lope dos corc&eacute;is?&quot;    (Ant&oacute;nio Feliciano de Castilho, in Virg&iacute;lio -1970- Ge&oacute;rgicas    III, 7-10).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="16"></a><a href="#1616">16</a>. N&atilde;o pretendemos, com isso, apagar    as diferen&ccedil;as entre o sistema m&eacute;trico latino, de base eminentemente    vinculada &agrave;s quantidades sil&aacute;bicas, e aquele(s) em curso na l&iacute;ngua    portuguesa, cujo foco corresponde ao n&uacute;mero de s&iacute;labas e &agrave;    distribui&ccedil;&atilde;o regular dos acentos. Trata-se, apenas, de ressaltar    a op&ccedil;&atilde;o por modos m&eacute;tricos e r&iacute;tmicos regrados -n&atilde;o    livres, ou mesmo pela prosa!- tanto em Virg&iacute;lio, quanto em seus tradutores    lus&oacute;fonos a que temos feito men&ccedil;&atilde;o.     <br>   <a name="17"></a><a href="#1717">17</a>. &quot;Sob v&aacute;rios aspectos -sentido    literal, tamanho dos versos, coer&ecirc;ncia de registro, entre outros que n&atilde;o    vamos poder examinar aqui- a leitura da tradu&ccedil;&atilde;o de Campos resultava    numa experi&ecirc;ncia est&eacute;tica mais pr&oacute;xima &agrave; leitura    do original de Donne do que a leitura da tradu&ccedil;&atilde;o de Vizioli&quot;    (Henriques Britto, 2012, p. 129).     <br>   <a name="18"></a><a href="#1818">18</a>. Cf. acima nota 9.    <br>   <a name="19"></a><a href="#1919">19</a>. &quot;Em sua tradu&ccedil;&atilde;o    da Il&iacute;ada, o pr&oacute;prio Odorico Mendes chama a aten&ccedil;&atilde;o    para o fato de que traduziu os 15.674 versos gregos por 13.116 versos portugueses    (cf. Oliveira, 2011)&quot; (Coelho e Fernandes, 2014, p. 66). Veja-se, por&eacute;m,    que as vantagens da concis&atilde;o odoricana podem por vezes resultar, em contrapartida,    na elimina&ccedil;&atilde;o de tra&ccedil;os formais importantes para a feitura    dos textos antigos, como a repeti&ccedil;&atilde;o.     <br>   <a name="20"></a><a href="#2020">20</a>. Esses podem chegar a conter, de acordo    com a dura&ccedil;&atilde;o das s&iacute;labas das palavras que os comp&otilde;em,    at&eacute; dezessete unidades r&iacute;tmicas m&iacute;nimas, distribu&iacute;das    por seis p&eacute;s. </font></p>     <p></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="">
<collab>Projecto Vercial</collab>
<source><![CDATA["António Feliciano de Castilho"]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COELHO]]></surname>
<given-names><![CDATA[FERNANDO]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[FERNANDES]]></surname>
<given-names><![CDATA[THAÍS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA["O modo de traduzir de Odorico Mendes: observações acerca do canto I da "Eneida brasileira""]]></source>
<year></year>
<volume>vol. 3</volume>
<page-range>63-75</page-range><publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HENRIQUES BRITTO]]></surname>
<given-names><![CDATA[PAULO]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A tradução literária]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Civilização Brasileira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MOISÉS]]></surname>
<given-names><![CDATA[MASSAUD]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Dicionário de termos literários]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cultrix]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RÓNAI]]></surname>
<given-names><![CDATA[PAULO]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A tradução vivida]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro. ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[José Olympio]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SAID ALI]]></surname>
<given-names><![CDATA[MANUEL]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Versificação portuguesa]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edusp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VASCONCELLOS]]></surname>
<given-names><![CDATA[PAULO SÉRGIO DE]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA["Contribuição à reapreciação crítica da "Eneida" de Odorico Mendes",]]></source>
<year></year>
<page-range>171-186</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>VIRGÍLIO</collab>
<source><![CDATA[Virgílio brazileiro,]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[W. Remquet et Cie.]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>VIRGÍLIO</collab>
<source><![CDATA[Eneida; Geórgicas]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro/São Paulo/Porto Alegre ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[W. M. Jackson]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WILKINSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[LANCELOT PATRICK]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA["Pindar and the Proem to the Third "Georgic""]]></source>
<year></year>
<page-range>182-188.</page-range><publisher-name><![CDATA[Oxford Readings in Classical Studies, Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
