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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Medeia: espaço de denúncia da violência contra a mulher]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Estado do Rio de Janeiro  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[We propose to analyze the drama of Medea, in which emerges the triad: violence, women and death. The Medea myth appears as an issue that is not limited by time, it remains active as a link in the representation of diversity in the field of drama, imagery and cinematography. Medea is the concerns of wives and mothers women victims of domestic violence and react to the male figure reporting process. We experience one spectacle society in which women stars in moments of violence and seeks react in different ways, mainly through representation as a way to combat victimization. Uses the stage of the theater as a complaint space against social prejudice of the exiled woman against racial violence defined by skin color and against ethnic and religious persecution]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[dramaturgia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <div align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <b><font size="4">ART&Iacute;CULO ORIGINAL </font></b></font> </div>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4"><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Medeia:    espa&ccedil;o de den&uacute;ncia da viol&ecirc;ncia contra a mulher</font></b></font><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <br>   </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font size="3">Medea:    Denunciation Space of Violence against Woman</font>    <br>   </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Maria Regina    Candido</font></b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade do    Estado do Rio de Janeiro, Brasil.    <br>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b>    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Propomos analisar    a dramaturgia de Medeia, no qual emerge o trin&ocirc;mio: viol&ecirc;ncia, mulher    e morte. O mito de Medeia configura-se como um tema que n&atilde;o se esgota    atrav&eacute;s do tempo, pois se mant&eacute;m ativo como nos apontam a diversidade    de representa&ccedil;&atilde;o no campo da dramaturgia, imag&eacute;tica e cinematografia.    Medeia representa as inquieta&ccedil;&otilde;es das mulheres esposa e m&atilde;e    v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica eque reagem ao processo de    subordina&ccedil;&atilde;o a figura masculina. Vivenciamos uma sociedade do    espet&aacute;culo no qual a mulher protagoniza momentos de viol&ecirc;ncia e    busca reagir de diferentes maneiras, principalmente atrav&eacute;s da representa&ccedil;&atilde;o    como forma de luta contra a vitimiza&ccedil;&atilde;o. Usa o palco do teatro    como espa&ccedil;o de den&uacute;ncia contrao preconceito social da mulher exilada,    a viol&ecirc;ncia racial definida pela cor da pele e a persegui&ccedil;&atilde;o    &eacute;tnicae religiosa.    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>PALAVRA-CHAVE:</b>    dramaturgia, mito, opress&atilde;o, teatro.    <br>   </font></p> <hr>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b>    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">We propose to analyze    the drama of Medea, in which emerges the triad: violence, women and death. The    Medea myth appears as an issue that is not limited by time, it remains active    as a link in the representation of diversity in the field of drama, imagery    and cinematography. Medea is the concerns of wives and mothers women victims    of domestic violence and react to the male figure reporting process. We experience    one spectacle society in which women stars in moments of violence and seeks    react in different ways, mainly through representation as a way to combat victimization.    Uses the stage of the theater as a complaint space against social prejudice    of the exiled woman against racial violence defined by skin color and against    ethnic and religious persecution.    <br>   </font></p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">KEYWORDS:</font></b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    dramaturgy, myth, oppression, theatre.    <br>   </font></p> <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Abordar o tema    viol&ecirc;ncia, na atualidade, nos remete a m&iacute;dia, aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o    que constantemente exp&otilde;e a mulher como v&iacute;tima da viol&ecirc;ncia.    As a&ccedil;&otilde;es transmitidas pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o    nos trazem a mem&oacute;ria a obra de Guy Debord intitulada Sociedade do Espet&aacute;culo    no qual o espet&aacute;culo n&atilde;o &eacute; o conjunto de imagens de jornais,    TV ou Internet, mas a rela&ccedil;&atilde;o social que se estabelece entre as    pessoas, mediatizada por imagens. A partir desta perspectiva, acrescentamos    que a morte e a viol&ecirc;ncia transformaram-se num espet&aacute;culo para    serem vistos e compartilhados atrav&eacute;s dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o.    Fatos que nos levam a crer que vivenciamos um momento de receios, tens&atilde;o    e medo diante da exposi&ccedil;&atilde;o do conflito, da viol&ecirc;ncia e da    morte. A a&ccedil;&atilde;o visual da viol&ecirc;ncia fomenta a cultura do medo    e que resulta no sentimento de inseguran&ccedil;a em contradi&ccedil;&atilde;o    aos anseios manifestos das sociedades por uma cultura de paz (Costa, 2007).        <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Onde h&aacute;    a s&iacute;ndrome do medo, existem amea&ccedil;as e esta parece induzir parte    da popula&ccedil;&atilde;o a reagir com mais medo e mais viol&ecirc;ncia. Diante    do tema nos questionamos: Afinal, o que &eacute; viol&ecirc;ncia? De acordo    com Norberto Bobbio (2004), viol&ecirc;ncia &eacute; a interven&ccedil;&atilde;o    f&iacute;sica de um individuo ou grupo contra outro individuo ou grupo. A a&ccedil;&atilde;o    deixa transparecer uma estreita rela&ccedil;&atilde;o com o exerc&iacute;cio        <br>   do poder definido como uma rela&ccedil;&atilde;o entre dois sujeitos, na qual    um imp&otilde;e ao outro a pr&oacute;pria vontade como meio de obter alguma    vantagem ou o efeito desejado (Bobbio, 2004).    <br>   Consideramos como viol&ecirc;ncia tudo o que &eacute; capaz de atingir o corpo    de algu&eacute;m de forma prejudicial, causando dano e/ou dor, assim como degradar    ou causar transtornos &agrave; sua integridade f&iacute;sica. O uso da viol&ecirc;ncia,    por vezes, visa &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o de algo ou algu&eacute;m atrav&eacute;s    de a&ccedil;&otilde;es que tem por princ&iacute;pio o sentimento de &oacute;dio    gerado por quem se sente lesado e v&iacute;tima de ofensas f&iacute;sicas ou    morais levadas a n&iacute;vel pessoal.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tanto o &oacute;dio    quanto &agrave; viol&ecirc;ncia fazem com que as v&iacute;timas reajam movido    pela emo&ccedil;&atilde;o (Arendt, 1970) e, por vezes, buscam realizar a vingan&ccedil;a    por suas pr&oacute;prias m&atilde;os. Arist&oacute;teles na obra Ret&oacute;rica    afirma que o tempo pode amenizar e at&eacute; curar a raiva, por&eacute;m, o    &oacute;dio &eacute; um sentimento incur&aacute;vel e tem por princ&iacute;pio    a rea&ccedil;&atilde;o e vontade de prejudicar, de vingar e de destruir o oponente,    no caso, o autor da viol&ecirc;ncia.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir do principio    de que a viol&ecirc;ncia e a morte tornaram-se um espet&aacute;culo para serem    vistos, convidamos os ouvintes &agrave; reflex&atilde;o sobre os usos da trag&eacute;dia    de Medeia, representada em Atenas no per&iacute;odo cl&aacute;ssico -431 a.    C.-. Propomos analisar o enredo da dramaturgia presente em Medeia no qual emerge    o trin&ocirc;mio: viol&ecirc;ncia, mulher e morte. O mito de Medeia configura-se    como um tema que n&atilde;o se esgota atrav&eacute;s do tempo, pois se mant&eacute;m    ativo, moderno e atuante diante das inquieta&ccedil;&otilde;es que suscita como    mulher, esposa e m&atilde;e abandonada pelo marido e que decide sacrificar os    pr&oacute;prios filhos.     <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A dramaturgia de    Medeia deixa transparecer que todo cidad&atilde;o grego que se sentisse lesado    em seus direitos deveria reagir, trazer a quest&atilde;o para o debate, a reflex&atilde;o    e buscar um julgamento p&uacute;blico justo. O sistema legal dos atenienses    no per&iacute;odo cl&aacute;ssico considerava que o uso da viol&ecirc;ncia era    uma anormalidade que deveria ser eliminada ou minimizada. O princ&iacute;pio    determinava que a ordem e as normas legais tinham por objetivo resolver as disputas,    suprimir os conflitos e eliminar a viol&ecirc;ncia privada (Cohen, 1997, p.    3).    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos afirmar    que duas a&ccedil;&otilde;es marcaram a trajet&oacute;ria da protagonista Medeia:    uma nos aponta para o ato que denota o uso da viol&ecirc;ncia verbal e a outra    que indica uma a&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica como o abandono associado    a coa&ccedil;&atilde;o do homem sobre a mulher. A trag&eacute;dia Medeia se    define especificamente como a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, ou seja, o uso    da viol&ecirc;ncia do homem contra a mulher. Em nosso entendimento, g&ecirc;nero    define-se como elemento constitutivo das rela&ccedil;&otilde;es sociais, baseadas    nas diferen&ccedil;as entre os sexos e nos aponta para o modo primordial das    rela&ccedil;&otilde;es de poder. &quot;G&ecirc;nero&quot; &eacute; um conceito    cultural vinculado &agrave; forma de como a sociedade constr&oacute;i as suas    rela&ccedil;&otilde;es politico-sociais, suas diferen&ccedil;as sexuais, atribuindo    status diferente ao homem e a mulher (Scott, 1990).    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante do vasto    conte&uacute;do imag&eacute;tico da sacerdotisa de H&eacute;cate, o conjunto    de imagens de Medeia nos permite afirmar que os atos de viol&ecirc;ncia e de    morte tornaram-se um espet&aacute;culo constante em seu repert&oacute;rio, a    saber: a jovem apaixonada por Jas&atilde;o mata a v&iacute;bora que guardava    o Velo de Ouro na regi&atilde;o de Colquida. Em seguida, o ato nos leva a a&ccedil;&atilde;o    de esquartejar o corpo do pr&oacute;prio irm&atilde;o visando retardar a persegui&ccedil;&atilde;o    empreendida por seu pai, o rei Aetes. No pal&aacute;cio de P&eacute;lias, o    idoso rei foi seduzido pelas palavras m&aacute;gicas de Medeia cujo resultado    foi a morte induzida pela sacerdotisa e efetuada pelas m&atilde;os das pr&oacute;prias    filhas do rei. E, finalmente a morte espetacular que eternizou a sua narrativa    m&iacute;tica atrav&eacute;s do assassinato dos filhos que teve com Jas&atilde;o.    A motiva&ccedil;&atilde;o est&aacute; sempre relacionada ao ci&uacute;me de    uma mulher madura que reage com viol&ecirc;ncia do abandono do marido que contraiu    novas n&uacute;pcias com uma mulher muito mais jovem.     <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O enredo de Medeia    nos leva a questionar: Qual a raz&atilde;o do sucesso da dramaturgia entre os    gregos antigos e na Modernidade? Medeia, aos olhos da cr&iacute;tica moderna    e da literatura ocidental, representa a viol&ecirc;ncia de uma mulher b&aacute;rbara    envolvida em uma paix&atilde;o insana, cruel e dionis&iacute;aca. Medeia reage    com viol&ecirc;ncia diante da perda da sexualidade e do interesse de Jas&atilde;o    ao mesmo tempo que luta para n&atilde;o se submete a a&ccedil;&atilde;o arbitraria    do poder masculino.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, com    todos esses atributos negativos, o personagem atravessa o tempo e chega &agrave;    modernidade como uma mulher que se recusa a aceitar que uma trai&ccedil;&atilde;o    e o abandono permane&ccedil;am impunes. A a&ccedil;&atilde;o ag&ocirc;nica da    vingan&ccedil;a e o uso da viol&ecirc;ncia acompanham a trajet&oacute;ria de    Medeia, de Colquida a H&eacute;lade na qual poeta Eur&iacute;pides deixa transparecer    a m&aacute;xima dos helenos ao determinar que &quot;devemos sempre ajudar os    amigos e prejudicar duas vezes mais os inimigos&quot; (Candido, 2004, p. 22).    O agon como embate, competi&ccedil;&atilde;o e desafio, segundo Jacob Burckhardt,    sempre foi parte integrante da sociedade hel&ecirc;nica (Burckhardt, 1929, p.    26).    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hes&iacute;odo,    no per&iacute;odo arcaico, citou a m&aacute;xima na obra Os Trabalhos e os Dias    recomendando que &quot;se algu&eacute;m come&ccedil;ar tanto dizendo quanto    fazendo algo indelicado, esteja certo de pagar-lhe duas vezes mais&quot; (Hesiodo,    v. 709). Essa cita&ccedil;&atilde;o nos indica que responder a uma agress&atilde;o,    aceitar um embate ou enfrentamento detinha um valor positivo entre os gregos.    A a&ccedil;&atilde;o de responder a altura qualquer ato de viol&ecirc;ncia deveria    ser buscados por aqueles que se considerassem lesados, prejudicados em algum    momento do passado. Partindo desse princ&iacute;pio, Eur&iacute;pides no per&iacute;odo    cl&aacute;ssico materializou a rea&ccedil;&atilde;o diante da viol&ecirc;ncia    atrav&eacute;s da representa&ccedil;&atilde;o tr&aacute;gica de Medeia ao citar    &quot;que se deve causar mal aos inimigos, mas nunca aos amigos&quot; (Medeia,    v. 95).    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que nos chama    a aten&ccedil;&atilde;o na forte personalidade da sacerdotisa de H&eacute;cate    est&aacute; no fato de que os criadores do sistema filos&oacute;fico ocidental    como Hegel, Freud e Lacan, que analisaram as rela&ccedil;&otilde;es e comportamento    entre os humanos, jamais ousaram tecer coment&aacute;rios ou reflex&otilde;es    a respeito da complexidade do car&aacute;ter de Medeia. Entretanto, desde a    Antiguidade at&eacute; a Modernidade e a P&oacute;s-Modernidade artes&atilde;os,    pintores, poetas como Eur&iacute;pides, S&ecirc;neca e diferentes cineastas    como Lars von Trier e Pasolini, entre outros, buscaram decifrar o enigma da    mulher considerada de &quot;feroz car&aacute;ter, hedionda natureza e espirito    implac&aacute;vel&quot; (Medeia, v. 105).    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As representa&ccedil;&otilde;es    imag&eacute;ticas de Medeia mantem estreita rela&ccedil;&atilde;o com a Teoria    da Recep&ccedil;&atilde;o junto aos poetas, pintores contempor&acirc;neos de    Eur&iacute;pides, assim como que nos possibilita identificar a trajet&oacute;ria    do mito atrav&eacute;s do tempo. A vers&atilde;o dramatizada de Medeia resistiu    ao tempo, chegou a modernidade e transitou por diferentes culturas da Gr&eacute;cia    ao Jap&atilde;o, da Europa a &Aacute;frica do Sul passando por Sarajevo, Moscou    e Tbilissi.     <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante dessa constata&ccedil;&atilde;o    nos questionamos por que o mito de Medeia permanece ativo? Qual a motiva&ccedil;&atilde;o    do texto, da narrativa m&iacute;tica de Medeia ter atravessado o tempo e ser    recepcionado em diferentes temporalidades, em regi&otilde;es distintas e em    suportes de informa&ccedil;&atilde;o variado. Tal fato manteve o mito ativo    e atual apreendido por diferentes autores atrav&eacute;s da representa&ccedil;&atilde;o    de natureza distinta como a textual, a dram&aacute;tica, a imag&eacute;tica    e a cinematogr&aacute;fica. A natureza dispersa da narrativa de Medeia define-se    como percep&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es intertextuais, isto    &eacute;, referencias de um texto a outro texto de natureza diversa.     <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cabe ao pesquisador    tomar ci&ecirc;ncia do repert&oacute;rio m&iacute;tico da sacerdotisa de H&eacute;cate,    que &eacute; vasto, pois o seu acervo cultural transita pela literatura, dramaturgia    e imag&eacute;tica. Quanto mais conhecimento se tem sobre as distintas percep&ccedil;&otilde;es    e recep&ccedil;&atilde;o da narrativa m&iacute;tica de Medeia, mais se amplia    a compet&ecirc;ncia para compreender o di&aacute;logo estabelecido entre os    textos produzidos, o contexto social e as representa&ccedil;&otilde;es do mito    atrav&eacute;s do tempo.    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A aventura da protagonista    e suas imagens se aproximam da forma&ccedil;&atilde;o das unidades formais m&iacute;nimas    conceito que integra a semi&oacute;tica da imagem de Claude Berard (1983) que    parte do princ&iacute;pio de que a imagem &eacute; essencialmente narrativa    e coloca em cena deuses, her&oacute;is e homens em comportamentos sociais e    religiosos muito pr&oacute;ximos ao cotidiano. A partir da aplica&ccedil;&atilde;o    do m&eacute;todo de Claude Berard, indicamos os relatos da narrativa que se    tornaram repert&oacute;rios imag&eacute;ticos presentes em vasos gregos, afrescos    e esculturas atrav&eacute;s do tempo: a captura do Velo de Ouro, o rejuvenescimento    de P&eacute;lias que foi denominada de Peliades -ou Medeia e o Carneiro- e o    infantic&iacute;dio de Medeia. As duas primeiras narrativas m&iacute;ticas que    envolveram a a&ccedil;&atilde;o de Medeia tornaram-se repert&oacute;rio imag&eacute;tico    de artes&atilde;os e pintores do VI e V s&eacute;culo a. C. e circularam entre    Atenas e o Mediterr&acirc;neo Antigo. Enquanto que a &uacute;ltima abordagem    m&iacute;tica demarcou o processo de transforma&ccedil;&atilde;o a partir seu    in&iacute;cio no per&iacute;odo cl&aacute;ssico chegando a p&oacute;s-modernidade.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o    a narrativa m&iacute;tica, Eur&iacute;pides coloca no prologo, Medeia como uma    mulher m&iacute;sera e desonrada em posi&ccedil;&atilde;o de total subordina&ccedil;&atilde;o    a figura masculina e complementa ao citar &quot;que jaz sem alimento, corpo    dado as dores, debulhada em l&aacute;grimas todo tempo desde que soube ser lesada    pelo marido&quot; (Medeia, v. 20). Para o poeta a motiva&ccedil;&atilde;o do    lamento de Medeia est&aacute; no fato de Jas&atilde;o violar a lei de reciprocidade    e ajuda mutua estabelecida entre o casal atrav&eacute;s do compromisso do matrim&ocirc;nio.    Entretanto, o poeta Eur&iacute;pides n&atilde;o narra com detalhes &agrave;s    aventuras do personagem m&iacute;tico antes de chegar a regi&atilde;o de Colquida.    A an&aacute;lise da narrativa do poeta centra-se na regi&atilde;o de Corinto    como nos aponta os agentes da narrativa nomeados como Jas&atilde;o e Creonte.    Eles servem de sujeitos da narrativa m&iacute;tica que nos permitem identificar    a a&ccedil;&atilde;o subordinada da mulher na sociedade grega, fato que nos    permite analisar a narrativa junto &agrave; abordagem de g&ecirc;nero inserido    no contexto social de produ&ccedil;&atilde;o.     <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O poeta nos exp&otilde;e    pequenos lampejos sobre o lugar social da mulher na sociedade grega ao citar    &quot;n&oacute;s mulheres, somos o ser mais infeliz: primeiro &eacute; preciso    com excessivo dinheiro comprar marido e aceita-lo como senhor, como o divorcio    n&atilde;o &eacute; bem visto para as mulheres, n&atilde;o se pode repudiar    o marido&quot; (Medeia, v. 235). Eur&iacute;pides prossegue na narrativa informando    que &quot;ao chegar a sua nova morada sem condi&ccedil;&otilde;es de vir instru&iacute;da    de casa, deve adivinhar qual o melhor conv&iacute;vio com o seu consorte&quot;    (Medeia, v. 240).    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O dramaturgo acrescenta    que quando as mulheres efetuam bem o papel de esposa &quot;o marido convive    com elas sem o uso da viol&ecirc;ncia e a vida torna-se invej&aacute;vel, caso    contr&aacute;rio &agrave; morte torna-se desej&aacute;vel&quot; (Medeia, v.    245). Consideramos que houve uma empatia junto ao p&uacute;blico diante da narrativa,    pois casar jovem aos treze anos era uma situa&ccedil;&atilde;o familiar asjovens    gregas, fato com os quais as mulheres presentes no teatro de Atenas se identificavam    (Candido, 2010).    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A sequ&ecirc;ncia    da narrativa m&iacute;tica expressa &agrave; transi&ccedil;&atilde;o de Medeia    que deixa de agir como v&iacute;tima acuada e passa a atuar como agente ativa    da vingan&ccedil;a anunciada. Os adjetivos que qualificavam Jas&atilde;o configuraram-se    como um marco justificativo da a&ccedil;&atilde;o da protagonista, a saber:    &quot;traidor de sua prole&quot; (Medeia, v. 15), &quot;meu marido, virou o    mais vil dos homens&quot; (Medeia, v. 230), &quot;tu, o mais odioso aos deuses,    a mim e ao g&ecirc;nero humano&quot; (Medeia, v. 465).     <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A express&atilde;o    de animosidade denota a rela&ccedil;&atilde;o de poder exercida pelo homem em    uma sociedade masculina e a narrativa m&iacute;tica de Medeia tem servido de    base para a luta da mulher diante de um mundo eminentemente masculino. A partir    da narrativa m&iacute;tica de Medeia, a sociedade moderna deixa transparecer    como e quando se processa o reconhecimento da viol&ecirc;ncia, como ele &eacute;    exercida e qual a resposta social que o uso de viol&ecirc;ncia &eacute; capaz    de produzir.     <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No caso da viol&ecirc;ncia    racial, Toni Morrisson trouxe ao palco em 1987 a narrativa da escrava Margareth    Garnet ocorrida em 1867 intitulada como A Medeia Moderna cujo assassinato dos    filhos representou a din&acirc;mica da resist&ecirc;ncia feminina contra a escravid&atilde;o.    Diferente dos atos de confronta&ccedil;&atilde;o contra o senhor, o conflito    resolvido dentro do contexto dom&eacute;stico definiu o infantic&iacute;dio    como um ato contra o sistema de poder escravista. A viol&ecirc;ncia do ato tr&aacute;gico    de matar os filho era visto como uma a&ccedil;&atilde;o contra a propriedade    do senhor, pois atingia o seu ganho extra (Bhabha, 2007). Elizabeth Fox-Genovese    (1988) considera que o assassinato, a automutila&ccedil;&atilde;o e o infantic&iacute;dio    fazem parte da din&acirc;mica da resist&ecirc;ncia, da luta para fazer recuar    as fronteiras do universo da escravid&atilde;o.     <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na &Aacute;frica    do Sul a recep&ccedil;&atilde;o do mito na sua dimens&atilde;o de viol&ecirc;ncia    s&oacute;cio racial produziu a pe&ccedil;a DEMEA, escrita em 1960 por Guy Butler,    e somente liberada pela censura em 1990. O produtor adaptou o mito de Medeia    a um novo contexto social de produ&ccedil;&atilde;o no qual Jas&atilde;o e Medeia    representam a uni&atilde;o inter-racial cujo resultado gerou a ambiguidade de    status social das crian&ccedil;as nascidas dessa uni&atilde;o, devido &agrave;    diferen&ccedil;a da cor da pele. Em uma sociedade que definia o lugar social    do brancos e do negros, n&atilde;o sabe identificar o lugar social do mulato.    O resultado de uni&otilde;es inter-raciais se aproxima do conceito de entre-lugar,    s&iacute;mbolo da viol&ecirc;ncia racializada diante da necessidade da elabora&ccedil;&atilde;o    de estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o de seus protagonistas. Inicia-se    a cria&ccedil;&atilde;o de novos signos de identidade frente ao sintoma da vitimiza&ccedil;&atilde;o    social ao definir a pr&oacute;pria ideia de sociedade (Bhabha, 2007).    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda dentro da    perspectiva de viol&ecirc;ncia s&oacute;cio-raciale de den&uacute;ncia da opress&atilde;o    citamos o Projeto Medeia (1989) dirigido pela coreografa Rhodessa Jones que,    desde 1991, busca inovar a representa&ccedil;&atilde;o da trag&eacute;dia Medeia    na regi&atilde;o de S&atilde;o Francisco/USA ao trazer ao palco a representa&ccedil;&atilde;o    de pelas mulheres submetidas ao sistema prisional. As mulheres encarceradas    inserem junto ao enredo de Med&eacute;ia as suas hist&oacute;rias de vida que    as levaram &agrave; pris&atilde;o. A coreografa Rhodessa Jones busca desmitificar    a rela&ccedil;&atilde;o crime e castigo, quest&atilde;o colocada no livro de    Rena Fraden intitulado Imagining Medea, Rhodessa Jones and Theater for Incarcered    Women (2001). O enredo aponta o racismo e a discrimina&ccedil;&atilde;o contra    as mulheres como fator de motiva&ccedil;&atilde;o para o aumento da popula&ccedil;&atilde;o    carcer&aacute;ria feminina na Am&eacute;rica do Norte. O projeto visa denunciar    as condi&ccedil;&otilde;es de marginalidade, status social no qual a maioria    das presas s&atilde;o mulheres pobres, de baixa escolaridade, v&iacute;timas    de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e negras. O objetivo do projeto est&aacute;    na socializa&ccedil;&atilde;o da mulher negra ou mesti&ccedil;a marcada pela    agress&atilde;o e que tem sido criminalizada pelo seu ato de insubordina&ccedil;&atilde;o    a figura masculina. Dentro de um contexto de opress&atilde;o e de agress&atilde;o,    essa mulher emerge como vitima do patriarcado predominantemente branco e de    um sistema designado para manter a mulher negra ou mesti&ccedil;a calada, submissa    e sem voz.     <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto existem    outros desdobramentos da trag&eacute;dia Medeia: em Sarajevo, Moscou e Tbilissi    nos apontam para a a&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica diante    da resist&ecirc;ncia, da confronta&ccedil;&atilde;o e das controv&eacute;rsias    sobre a condi&ccedil;&atilde;o dos refugiados. A adapta&ccedil;&atilde;o de    Olga Taxidou de Medea: A World Apart, cuja representa&ccedil;&atilde;o transitou    por Sarajevo, Moscou e foi marcante a sua participa&ccedil;&atilde;o no Festival    Internacional de Teatro em Tbilissi capital da Republica da Georgia/Colquida    (1997). O festival foi o primeiro a ser realizado ap&oacute;s o colapso da Uni&atilde;o    Sovietica e a violenta guerra civil entre os moradores da Georgia e Abkhazia    e visou estabelecer o processo de paz e reconcilia&ccedil;&atilde;o (Taxidou,    2000).    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos afirmar    que a d&eacute;cada de 1990, reconhecidamente testemunhou, alguns dos acontecimentos    pol&iacute;ticos mais importantes do s&eacute;culo em torno da Europa: a reunifica&ccedil;&atilde;o    alem&atilde;, a dissolu&ccedil;&atilde;o e guerras da Jugosl&aacute;via, a dissolu&ccedil;&atilde;o    da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e subsequente cria&ccedil;&atilde;o de novas    na&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m a eclos&atilde;o de in&uacute;meros    conflitos &eacute;tnicos. Este foi um momento de acentuada transforma&ccedil;&atilde;o    cujos conflitos resultaram em centenas de milhares de pessoas obrigadas ao deslocamento    no interior do continente, criando assim um problema agudo dos refugiados nos    tempos atuais. Dentro deste contexto Olga Taxidou escreveu sua pr&oacute;pria    adapta&ccedil;&atilde;o de Eur&iacute;pides trag&eacute;dia, em 1997, intitulado    Medea: A World Apart. No qual explora as quest&otilde;es de refugiados pol&iacute;ticos    e reflete, mais especificamente, a situa&ccedil;&atilde;o das mulheres refugiadas    em transito. Assim como Medea que &quot;n&atilde;o tem pa&iacute;s, nenhuma    cidade, nenhuma casa... tornara-se [Ela &eacute;] um refugiado [em seu] pr&oacute;prio    corpo&quot; (Taxidou, 2005, p. 133).    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na modernidade,    o uso do corpo para expor a interse&ccedil;&atilde;o de duas culturas distintas,    a asi&aacute;tica e a ocidental, pode ser cotejado atrav&eacute;s de Medeia    de Yukio Ninagawa, de 1997, na qual o autor coloca no palco a tradicional t&eacute;cnica    do teatro Kabuki e Bunraku japon&ecirc;s interagindo com a dramaturgia do teatro    grego. O ator Tokusaburo Arashi traz ao palco uma Medeia de car&aacute;ter andr&oacute;gino    e transgressor. Sob a dire&ccedil;&atilde;o de Yukio Ninagawa, o drama chama    a aten&ccedil;&atilde;o para a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero ao revelar ao    publico a nudez de seu corpo masculino na transgressiva androgenia &quot;dos    portadores da sexualidade vigiada&quot; (Bhabha, 2007, p. 40). Assim como o    lado heroico e o saber magico da sacerdotisa de Hecate foi revelado, o ator    revela no palco a masculinidade de seu corpo junto com a sua natureza sexual    feminina.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conclu&iacute;mos    que o drama Medeia traz ao debate o confronto que perpassam os seres humanos    no passado e no presente ao qual impera o embate entre o conceito de civiliza&ccedil;&atilde;o    versus barb&aacute;rie, as cr&iacute;ticasaos problemas da segrega&ccedil;&atilde;o    &eacute;tnica e social diante de um mundo multicultural e a opress&atilde;o    de qualquer natureza. A narrativa m&iacute;tica de Medeia tem sido usada pelos    poetas, dramaturgos e pintores como o espa&ccedil;o de den&uacute;ncia da viol&ecirc;ncia    politica, a viol&ecirc;ncia racial e principalmente a viol&ecirc;ncia da supremacia    do masculino sobre o feminino. A viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero inclui a persegui&ccedil;&atilde;o    aos portadores de sexualidade vigiada, as v&iacute;timas de acusa&ccedil;&atilde;o    de criminalidade e da opress&atilde;o. Logo, Medeia continuar&aacute; como uma    narrativa m&iacute;tica associada aomecanismo deden&uacute;ncia, do grito de    diferentes categorias sociais em estado de viol&ecirc;ncia. A dramaturgia da    sacerdotisa de H&eacute;cate representaa matriz estrutural de mulher que mesmo    oprimida, mantem-se em constante luta, n&atilde;o se deixa abater, n&atilde;o    se intimida ou silencia...</font> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><font size="3">REFERENCIAS    BIBLIOGR&Aacute;FICAS</font></b>    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ANTIFONTE (1989):    Discours. Fragments d'Antiphon le Sophiste, trad. Louis Gernet, Les Belles Lettres,    Paris (ed. bilingue: grego e frances).    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ARENDT, HANNA (1970):    On Violence, Harcourt Publishing, Orlando.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ARISTOFANE (1989):    Aves, trad. de Maria de Fatima Souza e Silva, Edi&ccedil;&otilde;es 70, Lisboa.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ARISTOTELES (1997):    Politica, trad. de Mario da Gama Cury, Editora UnB, Brasilia.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BHABHA, HOMI (1998):    O local da cultura, trad. Myriam Avilla, UFMG, Belo Horizonte.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BERARD, CLAUDE    (1983): Iconographie-Iconologie-Iconologique, &Eacute;tudes de Lettres, Fasc.    4, Paris.    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BHABHA, HOMI (1998):    O Local da Cultura, Editora UFMG, Belo Horizonte.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BOBBIO, NORBERTO    (2004): Dicionario de Politica, trad. de Jo&atilde;o Ferreira, Imprensa Oficial,    S&atilde;o Paulo.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BUCKHARDT, JACOB    (1929): The Civilization of the Renaisance, Harper and Row, New York.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CANDIDO, M.&ordf;    REGINA (1998): &quot;Medeia: mito e mulher&quot;, in Hist&oacute;ria e Imagem,    Grafica Pontual, Rio de Janeiro, pp. 265-278.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CANDIDO, M.&ordf;    REGINA (2010): Medeia, Mito e Magia: a imagem atrav&eacute;s do tempo, 2.&ordf;    edi&ccedil;&atilde;o, NEA/UERJ, Rio de Janeiro.    <br>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CANDIDO, M.&ordf;    REGINA (2004): A Feiti&ccedil;aria na Atenas Cl&aacute;ssica, Letra Capital-FAPERJ,    Rio de Janeiro.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">COHEN, DAVID (1997):    Law, Violence and Community in Classical Athens, Cambridge University Press.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">COSTA, MONICA DE    OLIVEIRA (2007): A viol&ecirc;ncia urbana como espet&aacute;culo midi&aacute;tico,    Editora Filhos do Vento, Rio de Janeiro.    <br>   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">EDER, WALTER (1997):    &quot;Aristocrats and the Coming of Athenian Democracy&quot;, in Democracy 2500?    Questions and Challenges, Kendal/Hunt Publisher Cia, Iowa,     <!-- ref --><br>   pp. 105-154.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">EURIPIDES (1991):    Medeia, trad. de J. A. Trajano, HUCITEC, Paulo.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FERRARI, GLORIA    (2002): Figures of Speech: Men and Maiden in Ancient Greece, University Chigaco    Press.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FOX-GENOVESE, ELIZABETH    (1988): Within the Plantation Household: Black and White Women of the Old South,    The University of North Carolina Press, Chapel Hill NC.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FRADEN, RENA (2001):    Imagining Medea: Rhodessa Jones and Theater for Incarceraded Women, University    of North Carolina Press.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GALLEGO, JULLIAN    et al. (2011): El Estado em el Mediterraneo Antigo: Egipto, Grecia, Roma, Mi&ntilde;o    Davila Editores, Buenos Aires.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HERODOTO (1988):    Hist&oacute;ria, trad. de Mario da Gama Cury, Editora UnB, Brasilia.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HESIODO (1993):    Theogonia, trad. Paul Mazon, Les Belles Lettres, Paris.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ILARI, R. (2004):    &quot;O estruturalismo lingu&iacute;stico: alguns caminhos&quot;, in F. Mussalim    &amp; A. C. Bentes, Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; lingu&iacute;stica, 3:    fundamentos epistemol&oacute;gicos, Cortez, S&atilde;o Paulo, pp. 53-92.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">JOLLY, MARTINE    (2007): Introdu&ccedil;&atilde;o a An&aacute;lise da Imagem, Edi&ccedil;&otilde;es    70, Lisboa.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">JUST, ROGER (1989):    Women in the Athenian Law and Life, Routledge, London.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LEWIS, SIAN (2002):    The Athenian Woman, Routledge, London.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LINTOTT, ANDREW    (1982): Violence, Civil Strife and Revolution in the Classical City, The Johns    Hopkins University Press, Baltimore.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LOPES, E. (1987):    &quot;A estrutura lingu&iacute;stica&quot;, Fundamentos da lingu&iacute;stica    contempor&acirc;nea, Cultrix, S&atilde;o Paulo, pp. 38-41 y 312-313.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MOSSE, CLAUDE (1979):    &quot;Le Mythe de Solon et La d&eacute;mocratie ath&eacute;nienne&quot;, in    Annales: &Egrave;conomies, Soci&eacute;t&eacute;, Civilisations, 34&ordm; ann&eacute;e,    Mai-Juin, Armand Colin, Paris.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">NOUSSIA-FANTUZZI,    MARIA (2010): Solon the Athenian, the Poetic Fragments, Koninklijke Brill, Leiden.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">OGDEN, DANIEL (1996):    Women and Bastardy in Ancient Greece and the Helenistic World, Oxford University    Press.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PLUTARCO (1991):    Vidas paralelas, PAUMAPE, S&atilde;o Paulo.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">POMEROY, SARAH    (1998): Families in Classical and Hellenistic Greece, Clarendon Press, Oxford.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">RUDHARDT, J. (1992):    Pens&eacute;e e Religieuse et Actes Constitutifs du Culte dans la Gr&egrave;ce    Classique, Picard, Paris.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SCOTT, JOAN W.    (1990): &quot;G&ecirc;nero: uma categoria &uacute;til de an&aacute;lise hist&oacute;rica&quot;,    Educa&ccedil;&atilde;o e Realidade, vol. 16, n.o 2, Porto Alegre, jul./dez.,    p. 5.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SEGAL, CH. (1996):    &quot;La Med&eacute;e d'Euripides: la vengeance, le renversement et le problem    de la resolution&quot;, PALLAS: Med&eacute;e et la Violence, Presses Universitaires    du Mirail, Toulouse.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">TAXIDOU, OLGA (2000):    &quot;Medea Comes Home&quot;, in E. Hall, F. Macintosh &amp; O. Taplin (eds.),    Medea in Performance 1500-2000, Legenda, Oxford, pp. 217-231.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">TAXIDOU, OLGA (2004):    Tragedy, Modernity, and Mouning, Edinburgh University Press.    <br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">TAXIDOU, OLGA (2005):    &quot;Medea: A World Apart in Theatron&quot;, Text &amp; Presentation, n.o 3,    Spring, MacFarland &amp; Company Publisher, London, pp. 125-177.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <br>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">RECIBIDO: 14/1/2016    <br>   ACEPTADO: 28/4/2016</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <br>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Maria Regina Candido.    Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Correo electr&oacute;nico:    <a href="mailto:medeiacandido@gmail.com">medeiacandido@gmail.com</a>    <br>   </font></p>     <p></p>      ]]></body><back>
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